Fundos de Investimento – Tudo o que precisa de saber

Um fundo de investimento é um instrumento financeiro que resulta da captação de capital junto de diversos forrodores, constituindo o conjunto desses montantes um património autónomo, gerido por uma sociedade gestora, que o aplica numa variedade de ativos financeiros.

O Património dos Fundos é dividido em partes iguais denominadas Unidades de Participação (U.P.), que, ao longo do tempo, assume valorizações diversas, conforme a evolução dos activos que compõem o fundo. A cotação das Unidades de Participação de cada Fundo resulta da divisão do valor total da carteira em cada momento pelo número de Unidades de Participação em circulação.
O Investidor participa no fundo com uma determinada quantia que é expressa em Unidades de Participação. Ou seja, cada investidor é uma espécie de co-proprietário de uma parte da carteira total do fundo. Esta carteira é habitualmente composta por ações e/ou obrigações, mas uma parcela pode também estar aplicada noutros produtos, como os depósitos a prazo.

A sociedade gestora do fundo de investimento tem de respeitar a estratégia de investimento, tal como está definida no regulamento de gestão. Se este prevê que a sociedade gestora apenas pode investir em ações portuguesas, é interdita a possibilidade de apostar em acções de outros países ou em obrigações.

As principais funções da sociedade gestora são os seguintes:
– Selecionar, adquirir e alienar os activos de cada fundo;
– Emitir unidades de participação;
– Determinar o valor das unidades de participação;
– Cumprir os deveres de informação estabelecidos por lei;
– Ter acesso ao Mercado Interbancário.

Existe uma grande variedade de fundos de investimento no mercado, e a forma mais adequada de distinguir os fundos é com base nos ativos em que investem:

Fundos de tesouraria – ativos caraterizados por uma elevada liquidez, curto prazo. Devem ter em permanência entre 50% e 85% da carteira investida em valores mobiliários e depósitos bancários com prazo de vencimento residual inferior a 1 ano. Os depósitos bancários não podem exceder 50% da carteira e não podem ter acções;

Fundos de obrigações – aplicações de curto/médio prazo, sem grande volatilidade; Fundos que investem direta ou indiretamente pelo menos 2/3 da carteira em obrigações e outros activos representativos de dívida, sem componente accionista;

Fundos de ações/Alto risco – aplicações de longo prazo; carteira composta essencialmente por ações (mínimo 2/3 da carteira) ou produtos derivados com grande volatilidade;

Fundos mistos – quando investem em obrigações e ações, definindo barreiras para o peso das aplicações na carteira;

Fundos flexíveis – quando investem em obrigações e ações e não definem barreiras para o peso das aplicações na carteira;

Fundos de fundos – têm como particularidade uma carteira composta por unidades de participação de outros fundos;

Fundos especiais de investimento – caraterizam-se por uma grande liberdade na determinação da política de investimento;

Fundos de poupança-reforma (PPR) – têm uma composição semelhante aos fundos mistos, mas a lei atribuí-lhes um estatuto especial;

Fundos de capital garantido – oferecem uma garantia total ou parcial dos montantes investidos à custa de um menor rendimento potencial.

Os fundos podem ainda ser classificados como:
Fundos Abertos – permitem subscrições e resgates das suas unidades de participação em qualquer data. (Nº de UPs é variável);

Fundos Fechados – número fixo de UPs estabelecido no momento da emissão, podendo ser aumentado de acordo com condições definidas no regulamento de gestão. O prazo de vida é definido na data de emissão e o Fundo liquida automaticamente na data de amortização definida.

As rendibilidades dos Fundos de Tesouraria tendem a evoluir na mesma tendência das taxas de juro para os prazos até um ano. Assim, numa conjuntura de subida destas taxas, a rendibilidade destes Fundos tenderá também a subir, verificando-se a mesma relação no sentido inverso.
Os fundos de acções são bastante correlacionados com os índices de referência que medem a evolução desses mercados (Benchmarks).

Para aplicar as suas poupanças em fundos de investimento, basta dirigir-se a um banco e preencher o impresso de subscrição. Em alternativa, também pode subscrever via serviço telefónico ou na Internet. Alguns também podem ser subscritos nos correios. Pode adquirir unidades de participação a partir de um valor a rondar os 500€, mas algumas sociedades gestoras estabelecem um número mínimo de UPs a subscrever.

Tal como a subscrição, o pedido de resgate pode ser feito em qualquer balcão do banco onde o fundo foi subscrito, através do serviço telefónico ou da Internet.

Os fundos de investimento não podiam deixar de estar sujeitos à conhecida regra financeira – quanto maior o risco, maior a rentabilidade. Mas a verdade é que nos fundos, nem todos os riscos são da mesma natureza. Uns provem do mercado onde se investe, outros da própria gestão do fundo. Como os fundos não têm todos a mesma composição, os riscos que correm também não são iguais. O risco de cada fundo está dependente, sobretudo, da composição da sua carteira. Um fundo de ações é sempre mais arriscado do que um fundo de tesouraria. Contudo, é preciso não esquecer que, salvo algumas exceções, os fundos de investimento não garantem nenhum tipo de rendimento, nem o reembolso do capital investido.

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Publicado por

Kike Yin

Licenciado em Economia Profissional no sector dos Seguros

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