Porque devemos investir?

A questão é bastante relevante e é por vezes ignorada por muitos. No entanto há muitas razões válidas para investir o seu dinheiro. Deixamos-lhe aqui as 3 mais importantes.

1. O dinheiro parado é vítima da inflação
Com o aumento da inflação, o dinheiro perde valor. Mas o que é então a inflação? Segundo o Banco Central Europeu “ fala-se de inflação quando se verifica um aumento geral dos preços dos bens e serviços e não quando apenas os preços de artigos específicos sobem”. Por exemplo, assumindo uma taxa de inflação de 3%, se neste ano gastamos 100€ mensais num cabaz de compras no supermercado, no próximo ano gastaremos 103€ mensais no mesmo cabaz de produtos. Desta forma, é simples de ver que, se queremos que os nossos investimentos tenham lucro, terão de render mais do que a taxa de inflação. Por outras palavras, isto significa que se a taxa de remuneração do nosso investimento for inferior à taxa de inflação, em termos reais, estaremos a perder poder de compra.

Um exemplo:
Um depósito a prazo rende 2% ao ano. Admitindo que se fez um investimento de 100€, no final do ano obteremos 102€, ou seja, houve um ganho de 2€. No entanto, pelo efeito da inflação, esse dinheiro vale menos. Admitindo que a taxa de inflação foi de 3% nesse ano, o seu dinheiro vale agora, na realidade, 98,94€. Fazendo as contas, em termos reais, no final do ano em vez de ganhar 2€, acabou por perder 1 euro e 6 cêntimos.
Este exemplo é apenas ilustrativo do efeito da inflação pois, na realidade, teríamos ainda que ter em conta a fiscalidade do investimento.

Vemos assim que, em termos reais, a única forma de ganhar dinheiro a longo prazo será conseguir encontrar investimentos que gerem uma taxa de rendibilidade superior à taxa de inflação.

2. Investir para alcançar objetivos
Se quer viajar, comprar um carro novo ou uma casa de férias pode meter o seu dinheiro a gerar mais dinheiro para que possa mais rapidamente alcançar o seu objetivo. Todos nós temos um sonho e por vezes o que nos falta para realizá-lo é capacidade financeira. Desta forma, se fizer um plano de investimento, poderá vir a cumprir o seu sonho daqui a uns anos. Quanto mais cedo começar, mais depressa o conseguirá realizar.

3. Investir para o futuro
O futuro é incerto e cada vez mais caro! Seja para ter uma maior liberdade financeira depois da reforma ou para ajudar os seus filhos a iniciar as suas vidas, se traçar um plano de investimento pode acabar com essas preocupações. Aproveite o poder da capitalização para gerar dinheiro. Lembre-se que 1€ investido hoje a uma taxa anual de 3% valerá 1,34€ daqui a 10 anos e 2,43€ daqui a 30 anos.

6 Regras de Ouro para investir com sucesso

É normal o investidor vivenciar sentimentos de pânico ou de euforia, sobretudo quando se trata de investimentos em mercados bolsistas. Na realidade, em muitos casos, o maior inimigo é o próprio investidor. Para o ajudarmos a contrariar o impacto nefasto dos investimentos na sua carteira, trazemos-lhe seis princípios fundamentais para investir com sucesso. Estas regras são uma ajuda fundamental, para que o investidor saiba onde deve ir, quais os limites e o que deve fazer. Na prática não irão fazer com que ganhe mais dinheiro, mas sim, irão ajudá-lo a não perder tanto ou tantas vezes.

REGRAS DE OURO DO INVESTIMENTO

1. Defina o seu perfil de risco e de liquidez

Antes de começar a investir, é muito importante definir o seu perfil de risco e de liquidez, isto é, saber o que para a sua vida financeira significa possuir liquidez e a segurança, e até quanto do seu património está disposto a correr riscos. Sabendo estas caraterísticas, pode começar a construir uma carteira de investimentos com vista a longo prazo, sem desvalorizar a importância da liquidez na sua vida financeira e da segurança da mesma.

2. Invista apenas capital que pode arriscar

A gestão do risco pela parte de quem investe deve ser feita de uma forma prudente, mesmo que as perspetivas do retorno sejam boas. Esta questão torna-se ainda mais relevante, quando falamos de ativos de elevado risco, que deve investir apenas uma quantia em que possa arriscar na eventualidade de sofrer perdas, e que deve estar disposto a manter a longo prazo. Não só pelo risco de perda de capital propriamente dito, mas também porque a pressão psicológica adicional de sofrer perdas que não pode suportar torna mais difícil ao investidor manter a cabeça fria e respeitar os bons princípios de investimento.

Na eventualidade de recorrer ao empréstimo para investir, por muito baixa que seja a taxa de juro, o investidor deve analisar muito bem, e só deve investir se o retorno do seu investimento venha a ser maior do que os custos (juros e comissões) que terá com o crédito.

3. Não se deixe dominar pela aversão as perdas

Vários estudos demonstram que a maioria das pessoas tem uma forte aversão às perdas, o que leva investidores menos experientes a ir comprando mais e mais ativos (por exemplo: ações de uma empresa) a preços mais baixos, à medida que a cotação das ações caía, para tentar compensar as perdas, caso a cotação recuperasse.

A decisão de reforçar o investimento para ficar com um custo médio de aquisição mais baixo nunca deve ser motivada apenas pela aversão às perdas e a tentativa de “salvar” aquele investimento que está a correr mal. Como na prática se trata de fazer um novo investimento, a questão que deve colocar é: “Eu investiria neste ativo, hoje, caso não tivesse já feito o investimento anterior?”. Se ao preço atual não faria o investimento, muito menos deverá fazê-lo só porque já está com uma posição perdedora.

É necessário aceitar que nem todos os negócios vão correr bem. Respeite a diversificação e resista à tentação de reforçar excessivamente apostas perdedoras. Em vez de se focar naquele título específico, olhe para a sua carteira de investimentos como um todo.

4. Diversifique a sua carteira de investimento

Uma das regras de ouro do investimento é a diversificação do risco da carteira. O capital deve estar dividido em vários investimentos, de preferência em setores diversificados e com riscos variados. Mesmo que tenha um que lhe dê grande retorno e lhe pareça o mais seguro do mundo.

Quando o capital inicial para investir não é muito elevado, devemos começar com um ativo, e à medida que vamos obtendo ganhos, vamos retirando o dinheiro do primeiro para investir noutros ativos, diversificando assim o risco da nossa carteira de investimento.

Há muitos investidores que interpretam erradamente o conceito de diversificação. Muitos acreditam que diversificar é possuir diversos ativos e de diversas categorias. Ora, dificilmente controlará ou acompanhará o desempenho de uma carteira composta por uma centena de investimentos. Deve procurar constituir a sua carteira com poucos ativos, mas com boas perspetivas de evolução. Keep it simple.

O ideal é fazer uma alocação eficiente do seu dinheiro em 5 ou 6 produtos financeiros, por exemplo, produtos sem risco (depósitos a prazo, certificados de aforro, seguros de capitalização…), risco moderado (fundos de investimento e obrigações…) e risco elevado (ações, derivados).

5. Tenha em conta as mudanças estruturais

Nomeadamente no mercado acionista, é um erro comum os investidores tomarem um valor máximo recente do histórico de uma cotação, como referência para o potencial de ganho de um investimento. Esta perspetiva não tem em consideração alterações na atividade da empresa que podem afetá-la de uma forma estrutural. Por exemplo, uma empresa que é forçada a alienar ativos ou a abandonar um segmento de negócio, forçosamente terá um potencial de lucro e de crescimento diferente do que tinha anteriormente. Um outro fator a ter em conta, é a possibilidade de estar a ocorrer mudanças estruturais no setor da actividade em que a empresa opera.

Uma boa análise fundamental tem que contextualizar o preço das ações de uma empresa em relação aos seus resultados atuais e ao seu potencial futuro. Assim, o investidor não deve assumir uma cotação de uma ação em queda como uma boa oportunidade para obter ganhos, sem ter em conta as alterações estruturais.

6. Não invista em produtos que não conhece

Pela complexidade dos produtos e pelos termos técnicos utilizados, os mercados financeiros podem parecer algo impenetráveis para quem não tem formação ou experiência na área. Porém, existem alternativas entre confiar cegamente no banco, ou colocar o seu dinheiro debaixo do colchão. Tal como não se baseiam apenas na publicidade das empresas farmacêuticas para escolher produtos de saúde, enquanto investidor, deve procurar informar-se minimamente sobre os produtos ou procurar ajuda junto dos especialistas, quando lhe propõem um produto financeiro que ainda não conhece.

Procure esclarecer aspetos específicos do produto, tais como, os riscos (risco de mercado e risco de incumprimento) e o liquidez (se pode movimentar o capital investido). Quando são as nossas poupanças que estão em jogo, mais vale prevenir do que remediar.

Manter-se fiel a estas regras de ouro pode revelar-se um grande desafio, desde logo porque o nosso instinto pode contrariar os princípios do investimento que pretendemos respeitar.

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5 erros mais comuns dos investidores

Aqui apresentamos-lhe os 5 erros mais comuns que os investidores cometem e mostramos também como os evitar.

O primeiro passo quando fazemos um investimento é montar uma estratégia de investimento que devemos seguir sem nos deixarmos levar pelas emoções. É essa a forma mais segura de mantermos a calma e a confiança em períodos de instabilidade e de grande volatilidade nos mercados.

 

  1. Focar-se nos indicadores errados

Se você for um investidor de longo prazo tem que saber que os mercados funcionam por ciclos e que as correções são algo normal, mesmo as mais acentuadas. Nesse cenário, reagir demasiado depressa e fazer alterações ao seu portefólio de longo prazo por causa de indicadores de curto prazo podem levar a um desastre nos seus investimentos.

Assim, o melhor é ser fiel ao seu plano financeiro e focar-se nos objetivos que estabeleceu ao invés de reagir precipitadamente com base em indicadores errados.

 

  1. Tentar prever o mercado

Muitas pessoas investem com base no sentimento de mercado em vigor, o que pode ser prejudicial. Quando se sente o sentimento de mercado positivo, na maior parte dos casos, as oportunidades de entrar nesse investimento já passaram e as novas entradas correspondem às saídas de quem já as aproveitou. Da mesma forma, as vendas que se verificam quando o mercado está em queda correspondem às compras de quem vai aproveitar as novas oportunidades que o mercado vai proporcionar. Esta estratégia acaba por resultar num “comprar caro e vender barato”.

Adivinhar os movimentos do mercado é possível porém muito difícil, mesmo para os profissionais. Desta forma, é importante tentar manter-se no mercado alguns dias depois dos períodos de correção. É aí que estão as oportunidades!

 

  1. Reagir às notícias

As cotações das ações refletem, por antecipação, os medos e receios de eventuais notícias negativas. Os media tentam sempre sensacionalizar todas as noticias para assim conseguirem mais dinheiro. Não se deixe levar por esta (des)informação na hora de gerir a sua carteira e mantenha-se fiel à sua análise.

 

  1. Não ter paciência

O trading, tal como qualquer atividade, requer muito estudo mas não é possível para quem não tem paciência. É necessário tempo para “deixar os ganhos correr”, ou seja, é necessário tempo para que as cotações subam. Além disso, se estiver sempre a fazer trading vai ser sufocado pelas altas comissões de corretagem.

 

  1. Não ter em conta a paridade risco-retorno

Quando se investe num ativo com risco, o retorno potencial deve ser analisado tendo em conta o risco que se corre. Um ativo de maior risco deve ter um retorno potencial maior para que seja interessante do ponto de vista financeiro. O contrário também se verifica, ou seja, um ativo com menor risco precisa de um retorno potencial menor para ser considerado de interesse.

Se assumir demasiados riscos isso pode ter consequências imprevisíveis, muitas das quais fora da sua zona de conforto. Se, por outro lado, assumir poucos riscos, pode ter um retorno demasiado baixo para conseguir alcançar os objetivos traçados no seu plano.

Tenha em conta qual o seu nível de capacidade financeira (o ponto até o qual pode aceitar perdas) e emocional para poder definir uma estratégia que lhe permita cumprir os objetivos do seu plano financeiro.

Análise Fundamental vs. Análise Técnica (parte 2)

No seguimento do artigo anterior sobre as duas vertentes de análise do comportamento das ações em que se explicou como funcionava a análise fundamental fica agora a explicação de como funciona a análise técnica.

 

Análise Técnica

A análise técnica é uma análise histórica do comportamento e movimentos das cotações das ações e recorre a ferramentas de análise gráfica para tentar explorar esses movimentos com o objetivo de obter ganhos.

Há ações com comportamentos cíclicos e outras que aparentam um comportamento completamente aleatório mas, pela análise técnica é possível detetar alguns padrões, dado que os preços das ações tendem a repetir-se com alguma frequência e são, em certa medida, previsíveis. Desta forma, é possível ler o mercado e fazer os investimentos consoante a análise efetuada.

Atualmente, acedendo à Internet, é possível ter acesso a plataformas de trading com potentes ferramentas de análise gráfica que facilitam muito este trabalho. A metodologia de análise irá variar consoante o objetivo que tenhamos. Se este passar pelo day trading (investimentos abertos e fechados durante o período de funcionamento do mercado, ou seja, o investidor não guarda títulos em carteira durante a noite) a análise terá que ser feita com informação dos preços e do volume ao segundo. Se, por outro lado, o objetivo for fazer uma análise de uma ação num horizonte temporal mais alargado – digamos 6 meses – os dados a utilizar terão que estar de acordo com esse horizonte temporal. O importante, em ambos os casos, é o gráfico ter, além da informação do volume transacionado, a informação do preço de abertura, de fecho e dos máximos e mínimos da sessão, dentro do intervalo de tempo em análise.

A partir deste ponto é possível iniciar a análise propriamente dita. O primeiro passo prende-se com a definição da tendência em vigor. Pela análise da informação histórica do gráfico podemos ver se a ação se encontra numa tendência de subida ou de descida. Esta é, aliás, a primeira regra de ouro do analista técnico – seguir sempre a tendência – tal como está explícito na máxima “the trend is your friend”.

Depois tudo dependerá da análise gráfica. Desde conceitos mais simples como as linhas de suporte e de resistência ou médias móveis de diferentes amplitudes até conceitos mais complexos como o Relative Strength Index (RSI) ou o rácio de Fibonacci, todas estas ferramentas permitem uma análise mais completa e descobrir padrões através dos quais é possível entender o mercado. Pela análise destas ferramentas é, por vezes, possível descobrir figuras próprias que têm um significado bastante vincado e indicador de determinado movimento futuro. Dentro destas figuras temos, por exemplo, o duplo fundo/topo e o Head&Shoulders (H&S) que são figuras de inversão, ou seja, quando formadas, indicam que a tendência do mercado vai mudar.

Uma das grandes vantagens da análise técnica em relação à análise fundamental prende-se com o facto de esta poder ser aplicada a outras classes de ativos, nomeadamente, obrigações, fundos de investimento de elevada capitalização bolsista, opções, mercado cambial (Forex).

 

Conclusão

Como vimos, a análise fundamental utiliza os dados reais das empresas para avaliar se as suas ações estão sub ou sobrevalorizadas. Por outro lado, a análise técnica utiliza os dados históricos dos preços das ações para prever o comportamento futuro da cotação.
Qual das vertentes de análise devemos então utilizar para fazer os nossos investimentos?
A melhor estratégia passa por utilizar uma mistura das duas análises. A análise fundamental identifica as ações que se encontram sub ou sobrevalorizadas, o que nos permite saber quais as ações que se encontram baratas para investir. Por outras palavras, a análise fundamental diz-nos quais são as ações onde devemos investir.

A análise técnica, por acompanhar os movimentos das cotações das ações, indica-nos os momentos de agir, ou seja, quando devemos abrir uma posição (investir) ou fechá-la (recuperar o dinheiro investido).

Estas duas vertentes de análise são falíveis e o investimento acionista é considerado um investimento de risco pois há possibilidade de perda do capital investido. No entanto, o estudo aprofundado destas temáticas permite reduzir, em certa medida, o risco dos investimentos.

 

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Análise Fundamental vs. Análise Técnica

No mercado de capitais existem duas grandes vertentes de análise do comportamento das ações. Há analistas que utilizam essencialmente uma delas em detrimento da outra mas, como ambas têm vantagens e desvantagens e – mais importante – são ambas falíveis, a melhor estratégia passa por utilizar as duas análises (fundamental e técnica) de forma a fazer uma análise mais completa e mais sustentada dos movimentos do mercado.

Análise Fundamental

A análise fundamental utiliza os dados reais das empresas, obtidos através dos balanços e demonstrações financeiras destas, para tentar apurar o verdadeiro valor da empresa.

Sabendo o valor da empresa rapidamente se chega ao valor justo da ação. Se houver uma discrepância entre o valor justo da ação e a sua cotação na bolsa de valores, o analista fundamental percebe se a ação está sub ou sobrevalorizada e agirá em concordância com a sua análise, fazendo ou não um investimento.

O apuramento do valor da empresa pela análise fundamental é feito pela atualização dos cash flows futuros da empresa para o momento presente. Simplificando, isto significa que a avaliação feita pelo analista fundamental consiste na determinação de todo o dinheiro que a empresa pode gerar, em cada ano e ao longo de um determinado período (período este que seja representativo da vida futura de empresa) e, atualizá-lo para o momento presente (o processo de atualização é importante por permitir comparar valores monetários em diferentes períodos de tempo).

A opinião generalizada defende que a análise fundamental chega com maior fiabilidade ao valor real da ação mas, pela sua morosidade e complexidade dos cálculos, é inviável para analisar o mercado que transaciona a uma velocidade extremamente elevada. Num mercado que funciona a esta velocidade, esperar para tomar uma decisão baseada na análise fundamental das contas da empresa pode levar à perda da oportunidade de investir.

Para tentar contornar esse problema existem outros indicadores de mercado de uso mais simples – e como tal mais rápido – baseados em elementos das contas financeiras das empresas. Aqui incluem-se os múltiplos de mercado como o PER, que é o mais conhecido e falado, mas também o PBV ou o PCF. Estes múltiplos de mercado permitem comparar dois títulos de diferentes empresas de forma simples.

Alguns múltiplos de mercado:

Price/Earnings Ratio (PER) – corresponde à cotação de mercado da ação a dividir pelos resultados por ação da empresa e dá-nos um número que deve ser comparado com a média do sector no qual se insere a empresa em estudo. Se o valor deste múltiplo for muito superior à média do sector, a ação está cara. Se, pelo contrário, estiver abaixo daquela referência, a ação está subvalorizada, ou seja, barata.

Price to Book Value (PBV) – analisa a relação entre o valor bolsista da empresa e o valor contabilístico da mesma (por ação).

Price to Cash Flow (PCF) – mede a relação entre o valor da empresa em bolsa e a sua capacidade em gerar fluxos monetários, num dado período e por ação.

 

No próximo artigo iremos falar da análise técnica e de como deve ser utilizada em conjunto com a análise fundamental para obter os melhores resultados.

Contas de títulos – o que são e para que servem?

Quem se inicia no mundo dos investimentos em bolsa tem por vezes a falsa ideia de que a negociação é feita diretamente na bolsa. A compra e venda de títulos tem que ser feita através de intermediários financeiros, que podem ser bancos ou sociedades de corretagem e, para tal, é necessário possuir uma conta de títulos junto de uma destas entidades.

Uma conta de títulos será então a conta através da qual o banco irá receber as suas ordens de compra e de venda, mas também as ordens de subscrição de produtos financeiros. Aqui estarão guardados os seus títulos (ações, obrigações, unidades de participação em fundos de investimento, entre outros) mas serve também caso deseje fazer uma transferência de títulos de outro intermediário financeiro.

A conta de títulos dá-lhe uma grande liberdade no que se refere às operações relativas aos seus investimentos. É uma base essencial para poder usufruir do serviço de homebanking, o que lhe dá a possibilidade de gerir a sua própria carteira de investimentos através de plataformas eletrónicas, transmitindo ordens de bolsa (compra e venda de títulos) mas também se revela fundamental caso queira contratar um serviço profissional de gestão de carteiras ou consultadoria de investimento.

A conta de títulos está associada à sua conta bancária porém possui outro número de conta. Desta forma, caso queira contratar este serviço terá que celebrar um contrato de intermediação financeira e de registo e depósito de valores mobiliários e ser detentor de uma conta à ordem.

Estas contas de títulos, naturalmente, têm custos. Os intermediários financeiros irão cobrar comissões pela prestação dos seus serviços. O preçário com a informação de todos os custos e encargos que podem incidir sobre o investidor deve ser-lhe fornecido antes da celebração do contrato e alterações nos preçários que impliquem um aumento dos custos devem também ser comunicadas pelo intermediário financeiro.

O valor das comissões irá variar consoante o intermediário financeiro que escolha mas vamos ficar a conhecer os tipos de comissões que existem associadas a estas contas.

Comissão de transação de valores mobiliários em mercado: este será o preço que se paga ao intermediário pelo serviço de receção, transmissão e execução da ordem de compra/venda que o investidor dá. Dependendo do intermediário, este valor poderá ser fixo, variável (uma percentagem do valor transacionado) ou ainda um misto destes dois últimos. Dentro desta última vertente há duas possibilidades; alguns intermediários adotam um preçário que define um valor fixo para montantes transacionados até um certo valor e um preço variável caso o montante transacionado seja superior a esse valor, enquanto outros intermediários adotam um preço que inclui uma componente fixa e outra variável (por exemplo, 0,5€+0,05% do montante transacionado). Importa aqui referir que sobre o valor desta comissão irá incidir o imposto de selo à taxa de 4%.

Comissão de registo e depósito de instrumentos financeiros: Esta comissão, também chamada de comissão de custódia ou comissão de guarda de títulos (como é mais vulgarmente conhecida) não é mais que o preço cobrado pelo serviço de registo e depósito dos títulos na conta do investidor. Este custo pode ter um valor fixo ou variável e é geralmente cobrado trismestralmente.

Comissão de emissão de certificado para participação em assembleia-geral: trata-se do valor cobrado pela emissão de um certificado comprovativo da titularidade das ações e, identificando o investidor como detentor de uma percentagem do capital da empresa, possibilita o exercício do direito de voto. Geralmente tem um valor fixo por certificado e ao seu preço acresce o valor do IVA.

Comissão de pagamento de dividendos: O titular de ações de uma empresa irá, a certa altura, receber a sua parte dos lucros da mesma – os dividendos. Estes serão creditados diretamente na conta de títulos do investidor. De cada vez que isso acontece é necessário pagar esta comissão de pagamento de dividendos. Normalmente tem um custo variável e podem incluir ainda despesas de porte e expediente. Sobre este valor irá ainda incidir o IVA à taxa legal.

Comissão de pagamento de rendimento de obrigações: à semelhança do que se passa com os dividendos das ações, esta comissão incide sobre os ganhos relativos às obrigações de que o investidor é titular.

Comissão de transferência de valores mobiliários entres contas: este valor corresponde ao preço cobrado pela transferência dos títulos registados na conta de um investidor para outra. No caso de o investidor possuir uma conta de títulos num intermediário financeiro e decidir mudar para outro, esta comissão não é, geralmente, cobrada pelo intermediário financeiro para onde a conta é transferida (é um custo suportado pela empresa como forma de angariar clientes).

Mercados acionistas emergentes – Fatores a ter em conta

Globalmente, o mercado acionista tem vindo a deparar-se com algumas situações de algum nervosismo, nomeadamente a situação do impasse grego e, mais recentemente, o crash na bolsa chinesa. No entanto, para um investidor atento, 2015 tem sido um ano cheio de oportunidades e a expetativa é de que assim continue.

As bolsas dos mercados emergentes encontraram, nos últimos quatro anos, algumas adversidades e, apesar do excelente desempenho verificado nos últimos meses, a confiança tem vindo a diminuir, fruto do arrefecimento do crescimento destes mercados, quando comparados com os mercados desenvolvidos. Por outro lado, o bom desempenho da economia e da moeda norte-americana, assim como a expetativa de um aumento das taxas de juro por parte do Fed (Federal Reserve, o equivalente norte-americano ao BCE – Banco Central Europeu), poderá desviar a liquidez dos mercados emergentes, o que acaba por não ajudar à sua situação.

Esta incerteza tem mantido as cotações em níveis baixos, o que é apetecível para os investidores de longo prazo, ou seja, investidores que compram e mantêm as suas posições na expetativa de que, no longo prazo, as cotações aumentem. Aliado a este fator há ainda o facto de que os primeiros meses de 2015 foram especialmente favoráveis às bolsas europeias devido, em grande parte, ao programa de flexibilização quantitativa promovido pelo BCE (o tão falado programa de quantitative easing). Isto fez diminuir, comparativamente, a atratividade das bolsas europeias face às dos mercados emergentes, quando analisamos a cotação atual das ações face aos resultados por ação.

Por último, as previsões apontam para uma estabilização do crescimento das economias dos países emergentes mas a situação dos lucros das empresas continua problemática e as estimativas dos resultados futuros das empresas são negativas.
Com base neste cenário, há 3 fatores que têm, quando em conjunto, potencial para indicar se, o recente bom momento de forma destes mercados representa, ou não, uma reviravolta sustentável face aos últimos anos.

O primeiro, passa por haver estabilidade da moeda, o que, como vimos, tem sido comprometido pela atual força do dólar e pelas primeiras medidas do Fed, conducentes ao esperado aumento das taxas de juro dos EUA. Em segundo lugar, é necessária uma retoma do crescimento económico dos mercados emergentes. O terceiro ponto tem a ver com a recuperação dos lucros das empresas.
Estes três pontos têm, em certa medida, uma ligação sequencial e, estando os dois primeiros satisfeitos, rapidamente se verificará o terceiro, o que fará subir os mercados acionistas.

Note-se no entanto, que o investimento em ações representa sempre um risco e este artigo e o autor não têm o objetivo de incitar ao investimento com base, unicamente, na análise aqui efetuada. Cada investidor deve fazer a sua análise do mercado, criar a sua estratégia e investir em concordância.

Como fazer um pé-de-meia para a reforma

A mais do que provável diminuição do valor das pensões a receber da Segurança Social, por razões económicas e demográficas, Para garantir uma velhice confortável, começa a ser cada vez mais imperativo que cada pessoa vá construindo ao longo da vida o seu próprio pé-de-meia, para servir de complemento à reforma paga pela Segurança Social.

Conheça abaixo algumas dicas que poderão ser úteis na hora de escolher um PPR ou de outros produtos de poupança para a reforma.

PRODUTO ADEQUADO AO PERFIL DE RISCO
Como os PPR não são todos iguais, escolhe o que mais se adequa ao seu perfil de risco. Tendo em conta que os investimentos para a reforma são aplicações de longo prazo, os especialistas aconselham, que os investidores mais jovens podem começar por privilegiar ativos de maior risco, e ir diminuindo progressivamente a exposição ao risco à medida que se aproxima a idade da reforma. No entanto, cada caso é um caso. Se for um investidor com um perfil muito conservador e avesso ao risco, poderá sentir-se mais confortável em aplicar as suas poupanças num PPR de capital garantido, por exemplo. Outros com maior propensão ao risco, mesmo em idades próximas da reforma, poderão preferir os produtos mais expostos ao mercado acionista, por exemplo, preferindo tirar proveito de uma tendência de subida do valor das ações.

COMPARAÇÃO DOS PRODUTOS
Antes de aceitar qualquer produto proposto pelo seu banco, faça uma avaliação do histórico das rendibilidades desse produto e compare-o com as alternativas (produtos com liquidez e riscos semelhantes) disponíveis no mercado, para analisar a capacidade dos gestores em gerar ganhos. No entanto, o valor da rendibilidade não deverá ser o único fator de comparação. Compare também as comissões e os custos de gestão cobrados pelas várias instituições, já que estes podem reduzir substancialmente o retorno do dinheiro investido.

LEQUE DE ESCOLHAS
Apesar dos PPR serem o instrumento que à partida mais se associa à poupança para a reforma, existem outros produtos que podem ser usados para o mesmo objetivo. Nomeadamente, os fundos de pensões abertos e os fundos de investimento, que acompanham o ciclo da vida dos investidores (target funds). Existem ainda outras alternativas, como os seguros de capitalização, Certificados de Aforro, ou Bilhetes do Tesouro. O próprio investidor pode construir a sua carteira de ativos e ir adaptando ao ciclo de rentabilidade dos mercados ao longo do tempo.

Formas de rentabilizar as suas poupanças

Quando começamos a organizar as nossas finanças, estamos a aumentar as probabilidades de concretizar os nossos sonhos. O primeiro carro, uma casa mais confortável, viajar nas férias, manter o padrão de vida na velhice.

Investir bem as suas poupanças para maximizar os rendimentos é o primeiro passo, Quanto mais cedo começar a poupar e a investir, mais próximo estará a criar os pilares para um futuro financeiro confortável. Ter uma carteira de investimentos diversificada também é importante, pelo que deve analisar com cuidado os diferentes tipos de investimento que tem ao seu dispor.

Conheça os principais tipos de investimentos financeiros para rentabilizar as suas poupanças:

Ações – Para um investidor com pouca experiência, escolher ações pode ser uma tarefa difícil, mas os que já têm alguma experiência podem obter bons retornos investindo em ações. Uma forma de se integrar e analisar o mercado accionista, é escolher um conjunto delas e acompanhar a evolução das mesmas durante aproximadamente 6 meses a um ano. Isto dar-lhe-á uma perceção da volatilidade do mercado e do seu próprio sucesso sem ter de colocar o seu dinheiro em risco. Encare a esta experiência como uma espécie de treino, para posteriormente começar a investir e com sucesso no mercado acionista.

Obrigações – As obrigações oferecem uma taxa de retorno fixa, fazendo com que sejam uma boa alternativa às ações, onde o retorno é mais imprevisível. Todavia, quando investe em obrigações, deve ter em conta que quanto mais alto for a rentabilidade maior é também o risco. Os investimentos mais seguros são os que pagam menos, enquanto os que têm mais risco pagam mais. Deve ponderar bem o risco e o retorno na altura de escolher os seus investimentos.

Fundos Mútuos – Estes fundos recolhem dinheiro de vários pequenos investidores para comprar uma carteira diversificada de ações, obrigações e outros instrumentos financeiros. Isto permite os investidores ter maior diversificação que necessitam para investir de forma segura. Quando se escolhe um fundo mútuo é importante olhar para todas as comissões e despesas associadas, uma vez que comissões altas e recorrentes podem reduzir o retorno financeiro a longo prazo.

Fundos Negociados em Bolsa – Estes fundos combinam a diversificação de um fundo mútuo com a opção de negociar de uma ação. Tal como os fundos mútuos, os fundos negociados em Bolsa lidam com uma carteira de ações. Todavia, ao contrário dos mútuos, estes fundos podem ser comprados e vendidos durante o próprio dia de transações. Isto faz com que sejam escolhas atrativas para investidores, devido a sua elevada liquidez.

Derivados – Designam-se por derivados todos aqueles instrumentos financeiros resultantes de contratos a prazo celebrados, cujo valor e evolução futura do mesmo deriva do preço de um determinado ativo subjacente, tais como taxas de juro, ações, índice bolsista, matérias-primas, ou divisas. A alavancagem e a elevada volatilidade associadas aos produtos derivados, fazem com que o investidor ganhe ou perca toda a aplicação em pouco tempo. Investimentos deste tipo são negociados no mercado OTC ou na bolsa dos derivados.
Trata-se de um tipo de investimento pouco recomendado para investidores com pouca intimidade com o assunto. Saiba mais aqui.

Aplicações de Rendibilidade Fixa – São investimentos relativamente seguros e os retornos são menores do que a maioria dos outros tipos de investimento. Quem prefere investir com pouco risco, deve investir em instrumentos seguros e previsíveis como depósitos à prazo, certificados de aforro, ou seguros de capitalização. Aplicações deste tipo devia ter um papel importante na carteira de investimentos de qualquer investidor.

4 soluções de investimento a curto prazo

Os especialistas costumam dizer que o horizonte temporal de investimento tem de estar alinhado com os produtos que escolhe para investir, ou seja, deve ter cuidado para não investir em produtos que possam perder muito dinheiro num curto espaço de tempo. Perante o leque de soluções de investimento, nem sempre é fácil optar, por isso, estar bem informado é a melhor arma para comparar produtos e negociar com o banco.

Seguem abaixo uma lista dos melhores investimentos de curto prazo que pode aplicar. Mesmo considerando que a curto prazo as taxas de retorno são geralmente baixas, há sempre ganhos a ter em conta nestes investimentos.

Depósitos a prazo – Os melhores depósitos a prazos no mercado oferecem-lhe taxas de juro a rondar os 1,5% (a 12 meses) para depósitos superiores à 2000 euros. Pode sempre tentar negociar a taxa com o banco, se tiver montantes elevados para investir. Opte sempre por depósitos de taxa líquida superior à inflação prevista. Esta solução traz-lhe reforços para a sua conta à ordem.

Certificados de aforro – Os certificados de aforro são empréstimos das famílias ao Estado. Oferecem uma taxa bruta anual de 1,058%. Além disso, existe um prémio extraordinário de 275 pontos-base que vai vigorar até ao final de 2016 (num total de 100 pontos). Por isso, mesmo com a taxa Euribor a 3 meses negativa, é possível obter um rendimento líquido.

Papel Comercial – Estes instrumentos financeiros consistem em empréstimos de curto prazo a empresas e/ou sociedades financeiras. Costumam ser boas alternativas de investimento para quem quer aplicar os seus fundos com baixo risco. No entanto, estão apenas reservadas a investidores com montantes elevados.

Fundos de investimento de obrigações – Apostar em obrigações através de fundos de investimento, também é uma boa solução para investir a curto prazo. Apresentam um risco reduzido e permitem aceder a ferramentas financeiras com baixos montantes. Apesar de não terem uma rentabilidade garantida ou fixa, dada a inexistência de taxas de juro, estes fundos permitem a obtenção de rendimentos com um risco mínimo, em aplicações de curto prazo.