Os custos globais de um crédito

No sentido de proteger o beneficiário menos avisado do verdadeiro custo de um empréstimo, considerando todos os encargos associados à operação, criou-se a Taxa Anual Efectiva Global (TAEG). Esta taxa pretende reflectir o verdadeiro custo final para o beneficiário do crédito que assim tem uma noção mais exacta do que representará para si a operação financeira.

A TAEG pode ser calculada para dois tipos de operações distintas:
• Operações uni período, em que há apenas dois momentos: o inicial, no qual o empréstimo é concedido e no qual pode haver lugar ao pagamento de outros encargos e o final em que se liquida o empréstimo, juros e eventuais outros encargos;
• Operações multi-período, em que há lugar ao pagamento de juros periódicos e eventualmente também ao reembolso faseado do capital em dívida.

Por exemplo:
TAEG para operações uni período
• Montante do financiamento: 20.000€
• Prazo: 91 dias
• Taxa de juro nominal (Euribor+spread): 6%
• Imposto de selo sobre os juros: 4%
• Despesas de concessão do empréstimo (pagos no momento da obtenção do empréstimo): 100€
• Comissão de cobrança do empréstimo (pagos no reembolso do empréstimo): 50€

Cálculo dos juros:
20.000 x 0,06 x (91/360) = 303,30€

• Imposto de selo sobre os juros: 303,30 x 0,04 = 12,10€
• Montante líquido obtido: 20.000 – 100 = 19,900€
• Montante a pagar no final: 20.000 + 303,3 + 12,1 + 50 = 20.365,40€

Generalizando, o cálculo da TAEG para operações uni período:
CI – Capital do empréstimo
DI – Todas as despesas suportadas no momento zero
J – Juros
DF – Todas as despesas suportadas no final do empréstimo (excepção dos juros)
X – nº de dias da operação

TAEG =[ (CI + DF + J) / (CI – DI)^365/X – 1

TAEG = [20.365,4 / 19.900]^91/365 – 1 = 0,0972 (9,72%)

Nota: Como a óptica da TAEG é a do beneficiário do financiamento utiliza-se como base de calendário a base real, ou seja, 365 dias.

Saiba como funciona o crédito à habitação

Quando a opção é comprar casa em detrimento do arrendamento, na maioria dos casos, é necessário recorrer ao crédito habitação para financiar a aquisição da casa. Devido à sua longa duração e elevada quantia associada, trata-se de um dos compromissos financeiros mais relevantes na vida das pessoas. Portanto, é muito importante que o cliente conheça todas as caraterísticas do crédito habitação, desde os termos do contrato, até custos associados e taxas de juro, compreendendo igualmente não só os seus deveres como os direitos.

Se tivermos uma vida financeiramente estável, a compra de casa é a melhor opção. Tendo em conta que quando arrendamos uma habitação, gastamos muito dinheiro no pagamento das rendas, e esse dinheiro gasto vai todo para o senhorio e a casa nunca será nossa. Pelo contrário, quando se compra uma casa, o dinheiro gasto nas prestações reverte totalmente para o pagamento do crédito à habitação ao banco, sabendo o cliente que a mesma é sua e está efetivamente em seu nome.

Conheça também as vantagens de viver numa casa arrendada

Para celebrar um contrato de crédito à habitação entre o cliente e o banco, geralmente requere um pagamento inicial do comprador, sendo que o valor rondará sensivelmente 10% do montante total a investir na compra da casa.

Como funciona o Crédito à Habitação
Quando é feito o pedido para um crédito à habitação, é necessário o comprador preencher um formulário bancário, iniciando assim um processo de verificação para analisar toda a informação associada ao crédito do cliente. Esta verificação engloba ainda dados sobre emprego, residência, rendimentos e qualquer outra informação relevante do cliente. Em alguns casos, a análise processual para a concessão do crédito habitação pode demorar meses.

Ao contrair um crédito à habitação, o cliente vai amortizar a quantia do empréstimo, acrescido dos juros relativos ao montante ainda por pagar. Deste modo, a prestação mensal envolve uma parte do capital e outra parte de juros. Geralmente, estas prestações são pagas mensalmente através do débito direto numa data previamente acordada com o banco. Qualquer alteração da data ou da conta à ordem através da qual se processa o pagamento das prestações do crédito, implica o comum acordo entre o cliente e a instituição bancária.

Existem três tipos de prestações, que são os seguintes:
Constantes – os empréstimos com taxa de juro variável, o montante da prestação não se altera durante o período de vigência dessa taxa, assumindo novo valor apenas aquando da revisão do valor do indexante (Euribor). Se o empréstimo for de taxa de juro fixa, o montante da prestação, além de constante, é sempre fixo.

Progressivas – o montante da prestação aumenta com o tempo, em conformidade com um plano previamente definido e em função do prazo acordado. O cliente não conhece o valor total de juros a pagar.

Mistas – o valor da prestação cresce durante os primeiros anos do empréstimo. Após este período, a prestação mensal passa a ser constante, variando em função das alterações na taxa de juro. No momento inicial, o cliente desconhece o montante total de juros a pagar.