JUROS DA DÍVIDA PORTUGUESA ULTRAPASSARAM A FASQUIA DOS 4%. E AGORA?

Nos últimos dias registou-se uma subida das taxas nos títulos de dívidas dos países periféricos, essencialmente causada pela recente subida da taxa de inflação na Zona Euro (ZE) (de 0,6% em Novembro para 1,1% em Dezembro). Consequentemente, aumentou a pressão sobre o Banco Central Europeu (BCE) para recuar na sua política de juros extremamente baixos.

Na mesma linha geral, os investidores denotam uma especial preocupação com a decisão do BCE. Este decidiu prolongar até, pelo menos, Dezembro deste ano – quando a estimativa apontava para que terminasse em Março – o prazo do seu programa de activos e obrigações conhecido como Quantitative Easing (QE). Ao mesmo tempo reduziu o volume de compras mensais (a partir de Abril, o montante total das compras descerá de 80 mil milhões de euros para 60 mil milhões) e manteve inalteradas as regras que limitam a 33% o valor das aquisições de dívida por país emitente ou por série de obrigações emitida. Em novembro de 2015, a mesma autoridade monetária já tinha sido forçada a rever em alta esse limite, dos iniciais 25% para os actuais 33%, como já exposto anteriormente.

A extensão do QE implicará uma nova injecção, por parte do BCE, de valores em torno dos 540 mil milhões de euros, numa altura em que, por um lado, a eleição de Donald Trump nos EUA cria demasiadas incógnitas sobre a evolução da economia mundial e, por outro, a Reserva Federal dos Estados Unidos (FED) se prepara para subir as taxas de juro. A autoridade liderada por Janet Yellen anunciou em Dezembro uma subida do preço do dinheiro nos EUA para um intervalo entre 0,50% e 0,75% significando portanto um aumento de 25 pontos base. Enquanto essa subida era já antecipada pelos investidores, uma nova previsão de três aumentos para 2017, face à anterior expectativa de apenas dois, surpreendeu os analistas. O aumento da inflação, que deverá resultar das medidas expansionistas de crescimento económico de Trump, poderá forçar a FED a acelerar o ritmo dos aumentos de taxas de juro neste corrente ano. Esta orientação está a pressionar o Euro (que desceu para mínimos de quase 14 anos) uma vez que o diferencial de juros dos dois lados do Atlântico deverá aumentar – actualmente, a taxa de juro na ZE encontra-se no mínimo histórico de 0%, não se perspectivando alterações nos próximos tempos. Assim, existe uma notória divergência na política monetária entre a Europa e os EUA, onde se verifica uma subida dos juros por parte da FED e o BCE a manter a sua posição de política fortemente acomodatícia.

Relativamente a Portugal, o programa do BCE tem ajudado a manter os juros da dívida nos prazos mais longos nuns aceitáveis 3%. Contudo, as regras desenhadas por Frankfurt referentes aos tais 33%, fazem com que esse tecto esteja já muito perto de ser atingido no caso do nosso país e, como tal, é cada vez mais difícil para o BCE encontrar activos elegíveis. Este é um motivo para pensar que se irá continuar a registar uma redução das compras de dívida portuguesa pelo BCE neste ano de 2017, ano em que o IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública) se prepara para emitir 16 mil milhões de euros de dívida de médio e longo prazo. A título de exemplo, entre Abril e Junho de 2016, por exemplo, o BCE adquiriu mais de 1.400 milhões de euros por mês enquanto que no mês de Outubro e Novembro “apenas” comprou 1.022 milhões de euros de obrigações nacionais, o que revela um decréscimo notório.

Ainda de acordo com o anunciado na última reunião, o BCE passa a incluir no programa as obrigações com maturidade de um ano, ao invés dos atuais dois anos, e deixa cair a regra de não comprar dívida abaixo do valor da taxa dos depósitos (-0,40%), o que apenas beneficia os países do centro da Europa que vendem títulos a juros negativos. Por fim, outra das regras do programa do BCE é que o ritmo das compras deve ser proporcional à participação de cada banco central nacional no capital social da autoridade monetária, a chamada «chave de capital». Deixar cair essa limitação daria flexibilidade ao BCE para gerir de uma forma mais sustentável o programa de compra de activos. No entanto, afigura-se difícil a obtenção de um consenso no Conselho de Governadores do BCE.

Perante este cenário, os mercados e os investidores continuam extremamente pessimistas antevendo fragilidades na economia portuguesa e no seu sector financeiro devido à percepção generalizada de que o país depende fortemente das compras da dívida pública efectuadas pelo BCE. Como resultado, os juros da dívida nacional a 10 anos dispararam recentemente (Janeiro deste ano) de 3,5% para uma taxa a rondar os 4,2% (e que resultou numa emissão de 3 mil milhões de euros), ou seja, o valor mais alto desde fevereiro de 2014 quando a troika ainda se encontrava em Portugal. Em contraste, a dívida espanhola a 10 anos está com juros de 1,5% e a italiana com taxas inferiores a 2%. Tais valores são, apenas, os juros que os investidores exigem, uns aos outros, para comprar dívida pública. Contudo, são um indicador de quanto Portugal teria de pagar para se financiar caso decidisse ir ao mercado (e terá que o fazer como já verificado acima). Por outro lado, esta taxa de 4,2% no prazo a 10 anos supera o nível que a agência de rating canadiana DBRS – a que tem permitido a Portugal continuar a beneficiar do suporte da autoridade monetária de Frankfurt através da aquisição de dívida pública – considerou que seria o limite do qual deixaria de se sentir confortável com a notação atribuída à dívida portuguesa. De recordar que todos os ratings das outras agências financeiras (Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s) consideram Portugal em nível de “lixo” (Ba1 para a primeira e BB+ para as duas últimas).

Entretanto, Draghi afirmou que o Banco Central se encontra comprometido em suportar o nível muito substancial de política monetária expansionista tendo como target a estabilidade de preços e, caso seja necessário, o mesmo poderá ser reforçado ou mesmo prolongado nos termos de decisão do Conselho de Governadores dos bancos centrais dos dezanove países que constituem a área do euro.
No entanto, será uma inevitabilidade até que os governos dos países da ZE sejam chamados a substituir, com as suas políticas orçamentais, os estímulos do BCE que, na era do dinheiro “superbarato”, conduziram a uma descida dos juros nos problemáticos países periféricos, entre os quais se insere Portugal. As consequências disso são incertas, mas certamente serão bastante negativas para o nosso país.

Autor: André Ratinho Pereira. Natural de Lisboa, onde reside, nasceu a 16/07/1993. É licenciado em Ciência Política pelo ISCTE-IUL. É mestre em Economia Monetária e Financeira no ISCTE Business School.
E-mail: andreratinhopereira@gmail.com

Jovens no Canadá aconselharão o Primeiro-Ministro

O Primeiro-Ministro do Canadá, o liberal Justin Trudeau, lançou a iniciativa “Conselho da Juventude do Primeiro-Ministro” na sequência da sua promessa eleitoral de garantir uma voz independente e consultiva junto da mais alta esfera do poder executivo do Governo federal canadiano.

Este Conselho da Juventude do Primeiro-Ministro, distingue-se do Conselho Nacional da Juventude do Canadá (homólogo do Conselho Nacional da Juventude – CNJ), nos seguintes aspectos:

  • Composto por 30 jovens, com idades compreendidas entre os 16 e os 24 anos;
    • gap etário garante que a geração mais afectada pelas políticas económicas é ouvida.
  • Os jovens serão oriundos de todas as entidades federais (Províncias e Territórios) e de diversos backgrounds socioeconómicos;
    • A diversidade de backgrounds garante um painel diversificado de opiniões e pontos de vista.
  • Aconselharão, de forma apartidária, o Primeiro-Ministro em questões relacionadas com o emprego, acesso à educação, fortificação sociedade civil, alterações climáticas, crescimento verde/limpo, entre outros;
  • Terão que dedicar entre 10 a 20 horas mensais aos trabalhos do referido Conselho, incluindo reuniões;
  • As reuniões são organizados de forma descentralizada, podendo ser presenciais ou sobre a forma de videoconferência;
  • O mandato dos Conselheiros é de apenas 2 anos e não renovável;
    • A duração do mandato garante  que existe uma voz representativa das gerações dos Conselheiros e consequentemente uma renovação das visões e opiniões apresentadas.
  • Os candidatos são seleccionados com base no CV, sendo que o Governo federal canadiano dará preferências aos jovens com elevado grau de participação social e de voluntariado (incluindo criação de iniciativas) nas comunidades em que se encontram inseridos, bem como o seu background académico.

O Primeiro-Ministro do Canadá pretende desta forma criar um Conselho de Juventude formado por jovens desligados do ambiente partidário mas com grande participação social, ou seja, com um grande contacto directo com as realidades em que se encontram inseridos.

Esta liberalização da voz da juventude canadiana pretende ser um complemento aos conselhos de juventude partidários e comunitários existentes e formalizados, pretende dar voz a jovens líderes independentes no seio da formulação de políticas nacionais, que de outra forma poderiam nunca participar na formulação das mesmas.

A realidade portuguesa regional e nacional é completamente diferente, uma vez que o acesso das vozes dos jovens encontra-se completamente filtrada pelas estruturas legalmente previstas, impedindo que líderes de comunidades, o “simples e comum” jovem seja de certa forma “obrigado” a participar numa estrutura para fazer ouvir a sua voz.

O processo implementado no Canadá revela-se mais simples e meritocrático, mais participativo e consequentemente mais perto das reais preocupações dos jovens, em especial as relacionadas com a estabilidade económico-financeira e a empregabilidade.

BREXIT: Banco Central Europeu diz-se “preparado”

Mario Draghi, Presidente do Banco Central (BCE), confirmou o que se esperava: o BCE encontra-se preparado para todas as contingências decorrentes do BREXIT, caso o mesmo seja aprovado pelo eleitorado britânico e gibraltarino.

Não obstante, e apesar de se dizer “preparado”, não existe nenhum plano formal ou compromisso assumido, dado que é “difícil de especular sobre um conjunto de consequências”, disse o presidente da Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu.

As declarações do Presidente do BCE e do presidente da Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, surgem depois da ronda de auscultações levadas a cabo pelo BCE junto dos bancos do Eurosistema e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A única informação divulgada pelo Presidente do BCE, foi de que o banco central teria como prioridade “disponibilizar uma ampla liquidez por forma a evitar pânico junto dos investidores”.

Ainda de acordo com informações avançadas pelo próprio Deutsche Bank, o maior banco alemão, o sector financeiro também já tem na calha planos de contingência, uma vez que a própria administração do Deutsche Bank admite que o referendo irá testar o mercado de capitais. Porém, e à semelhança do BCE, o sector privado não pode garantir a eficácia dos seus próprios planos.

Só amanhã serão conhecidas as reais intenções dos britânicos e dos gibraltarinos, no entanto os mercados vivem momentos de alta tensão, nos quais contratos, decisões de investimento e transacções estão em suspenso até ao final do referendo.

Autor: Miguel Pinto-Correia. Natural do Funchal, onde reside, nasceu a 18/01/1989. É licenciado em Economia pela Nova School of Business and Economics. É Mestre em Economia Internacional e Estudos Europeus pela ISEG Lisbon School of Economics & Management.
E-mail: pintocorreia.m@gmail.com

BREXIT: O que está em causa?

Muito se tem escrito sobre o BREXIT, o referendo que se realiza no próximo dia 23 de Junho no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte (R.U.) e no Território Ultramarino Britânico de Gibraltar (o único que se encontra inserido na União Europeia).

Em causa estão não só as vidas dos cidadãos europeus que residem no R.U. e Gibraltar, mas também a vida e o desenvolvimento sócio-económico dos britânicos, dados os benefícios de actualmente se encontrarem inseridos no Mercado Único Europeu.

Uma eventual saída do R.U. da UE, e consequentemente do Mercado Único Europeu, representaria um forte choque negativo para a economia dos britânicos, dado que o volume de exportações britânicas para a UE é muito maior do que com qualquer outro bloco económico. O volume de exportações para a China, apesar de crescente, é ainda muito pequeno (2,9%). Em números redondos, cerca de 45% das exportações do R.U. destinam-se à UE, 18% destinam-se aos EUA e 7,3% aos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Porém o impacto económico da eventual saída do R.U. não se resume apenas à importância que a UE tem em termos de exportações. Se levarmos em linha de conta o número de estudantes do ensino superior que são cidadãos europeus, o impacto torna-se mais evidente. Isto, porque livre circulação de pessoas, traduz-se na livre circulação de estudantes e consequentemente estes têm um valor anual £3.7 biliões de libras (cerca de €4.8 biliões) para a economia britânica, assegurando 4000 postos de trabalho directamente ligados ao ensino superior.

Muito está em causa com uma eventual saída da R.U. da União Europeia, e muitos dos impactos extravasam o campo económico. Dado que o espaço é limitado e não pretendo alongar-me muito mais, existem, no entanto, dois pontos importantes a referir:

  • O facto dos países da Commonwealth encararem o R.U. como uma ponte para o investimento na UE, ponte essa com a qual o Reino Unido beneficiaria quer em termos económicos, quer em termos de captação de fundos europeus;
  • E o facto de uma eventual saída do R.U. traduzir-se numa perda do poderia militar da UE, e consequentemente, uma alteração das relações militares e diplomáticas deste país com os Estados-Membros da UE no seio da OTAN (NATO).

Posto isto torna-se evidente a ponta do icebergue no que diz respeito à catástrofe que se avizinha caso o eleitorado britânico e gibraltarino vote a favor da saída do R.U da UE. Arriscamo-nos a enfrentar uma crise económica de grandes proporções para a qual a UE, nem o R.U., podem estar preparados e cujo o período de reajustamento de advinha longo.

Autor: Miguel Pinto-Correia. Natural do Funchal, onde reside, nasceu a 18/01/1989. É licenciado em Economia pela Nova School of Business and Economics. É Mestre em Economia Internacional e Estudos Europeus pela ISEG Lisbon School of Economics & Management.
E-mail: pintocorreia.m@gmail.com

Mudar tudo para ficar quase na mesma

Numa altura em que estamos prestes a entrar no novo ano, multiplicam-se os balanços e as listas de acontecimentos que destacam o ano de 2015. É altura de perspetivar oportunidades, formular desejos de mudança e de renovação, sonhar projetos e acreditar que, desta vez, tudo será diferente. É também contagiado por este clima de ilusões típicas desta época do ano, que decidi deixar-vos aqui algumas conclusões.

Este ano termina com um novo Governo socialista, suportado pelo PCP, BE e PV, resultante de um “entendimento à esquerda” no Parlamento. E o novo ano inicia com mais uma campanha eleitoral, desta vez para escolher o novo presidente da República. O sucessor de Cavaco Silva no Palácio de Belém poderá vir a ter um papel crucial, se os equilíbrios que suportam o Governo liderado pelo António Costa se revelarem precários.

Quando falta menos de um mês para as eleições presidenciais, são 10, os candidatos na corrida a Belém. Marcelo Rebelo de Sousa parte na pool position, com uma confortável vantagem sobre as restantes candidaturas. Apesar da sua popularidade, o favoritismo do Professor Marcelo é só na primeira volta, visto que numa eventual segunda volta, o eleitorado da esquerda possa unir-se para votar na Maria de Belém ou Sampaio da Novoa. No entanto, é pouco provável que a tentação de olhar para Belém como contrapeso de São Bento influencie o desfecho das presidenciais.

O ano de 2015 não acaba sem a falência de mais um banco, o BANIF. E também não esqueçamos, que o Estado continua sem solução para o Novo Banco. Desta vez, são pelo menos 2,4 mil milhões de euros que vão custar aos contribuintes para salvar o BANIF. A opção, política, foi proteger os depositantes em detrimento dos contribuintes com o argumento de que a falência do Banif punha em causa a sustentabilidade do sistema financeiro. Afinal para que serve um fundo de garantia de depósitos se o mesmo nunca é usado? Apesar do seu impacto na Madeira e Açores, o BANIF, que representa 3% do mercado nacional, não deixa de ser um pequeno banco como era o BPN. E também não acho nada de outro mundo, se tivessem que optar por retirar uma percentagem dos depósitos acima de 100 mil euros para salvar o banco. Afinal de contas, esses depósitos estariam sempre em risco (até 100 mil) em caso de falência do banco. Quem não tem nada a ver com o BANIF, não tem que estar a pagar a incompetência de todos os intervenientes no caso. É verdade que Mário Centeno não tem culpa neste processo, mas tem, enquanto ministro das Finanças, a obrigação de explicar detalhadamente a todos os contribuintes porque não optou pela liquidação do banco, tal como Bruxelas queria.

Na mensagem de Natal, António Costa insistiu na ideia de um “tempo novo”, acenando a esperança do crescimento económico, da criação de emprego e da consolidação orçamental. O BE, que tem sido o partido mais ativo no apoio dado ao novo Governo, apressou-se a saudar a intervenção e o princípio do fim das políticas de austeridade. A nova composição parlamentar parece criar um cenário favorável à mudança de políticas, no entanto, um mês de governação bastou para deixar no ar o receio de que tudo possa ter mudado para ficar quase na mesma. A resolução para o Banif, a dependência do sistema financeiro e os mais de 11 mil milhões já injectados pelo Estado no sector, tornam difícil acreditar num cenário de relançamento da economia.

No Parlamento, desfez-se em pouco tempo o equívoco de que o país estava mais partido do que nunca em blocos, Esquerda e Direita. Rapidamente esses blocos se quebraram para, consoante os diplomas, o PS se ver obrigado a depender da votação dos deputados do PSD e do CDS-PP.

Por fim, resta-nos aguardar pela apresentação da proposta de Orçamento do Estado, que deverá ocorrer no início do novo ano para perceber o que realmente vem aí. As linhas ainda vagas do programa do novo Governo começam a definir-se à medida que tiverem de ser convertidas em medidas concretas. Por enquanto a apregoada mudança parece estar cada vez mais distante. A mudança sentir-se-á apenas quando o crescimento económico e o emprego deixarem de ser palavras, para serem sentidas pelas pessoas.

O Acordo de Schengen em risco: uma ameaça para os negócios na UE

A vinda de imigrantes e refugiados para a Europa tem-se revelado um duro desafio. Milhares de pessoas fogem das desumanas condições dos seus países de origem, nomeadamente os países da África Subsariana e da Síria, marcados pela pobreza, perseguições, fome e guerra.

O Espaço Schengen nunca foi tão testado como agora, em virtude do volume sem precedentes de refugiados e imigrantes que chegam à Europa, cujos líderes estão a ter sérias dificuldades em lidar com a situação. A chanceler alemã, Angela Merkel, emitiu um aviso sóbrio sobre os problemas que esta crise pode causar na manutenção do Acordo de Schengen. Atualmente, países como a Alemanha, a Áustria e a Hungria impuseram controlos fronteiriços, suspendendo temporariamente o Acordo.

O que é o Acordo de Schengen?

O Acordo de Schengen é uma das realizações mais notáveis ​​da Europa. Foi assinado em 14 de junho de 1995 na localidade luxemburguesa com o mesmo nome, e juntava, assim, os países do Benelux (que entre si já tinham estabelecido uma união económica e livre circulação de pessoas em 1960), França e Alemanha. O seu objetivo era o de permitir a livre circulação de pessoas entre os Estados-membros através da remoção gradual dos controlos fronteiriços. Cinco anos mais tarde, o acordo foi completado pela Convenção de Schengen, que propôs a supressão dos controlos nas fronteiras internas e uma política comum de vistos. Foi essa Convenção que criou o Espaço Schengen, com a completa abolição dos controlos nas fronteiras entre os Estados-membros signatários, a aplicação de normas comuns em matéria de vistos e cooperação policial e judicial.

Em 1997, durante a Conferência Intergovernamental de Amesterdão, todos os Estados-membros da União Europeia, exceto o Reino Unido e a Irlanda, assinaram o Acordo de Schengen. Foi durante essas negociações, que conduziram ao Tratado de Amesterdão, que foi acordada a incorporação do acervo de Schengen no acquis communautaire da União, juntamente com os opt-outs da Irlanda e do Reino Unido, que decidiram permanecer fora do Espaço Schengen. Com o Tratado de Lisboa, assinado em 2007, as regras jurídicas foram alteradas. O “espaço de liberdade, segurança e justiça” foi reforçado, englobando a cooperação policial e judiciária e políticas comuns de concessão de vistos, mas também de asilo e imigração.

Atualmente, integram o Espaço Schengen todos os Estados-membros da UE (à exceção da Bulgária, Chipre, Croácia e Roménia) e países que compõem a EFTA (sigla inglesa para Associação Europeia de Comércio Livre): Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

Objetivos e vantagens de Schengen

O princípio de Schengen é incrementar a cooperação internacional, o comércio e, finalmente, a resolução pacífica de diferendos entre países vizinhos. Um dos principais benefícios para as empresas é a velocidade com que produtos e serviços podem circular através das fronteiras internas, tornando-os mais competitivos em comparação com aqueles que chegam de países fora do Espaço Schengen. Assim, evitam-se as longas horas de atrasos que normalmente são parte da rotina do controlo fronteiriço, que se traduzem num desperdício de tempo para as empresas que querem transportar mercadorias ou o seu pessoal para o seu destino o mais rápido possível. Tempo é dinheiro, afinal de contas.

Para garantir uma entrega mais eficiente de bens ou serviços entre fornecedores e clientes, as empresas utilizam exercícios para avaliar cada atividade que desenvolvem, de forma a conhecer qual o lucro que conseguem obter. Um dos fatores que entram na equação é a velocidade com que um bem pode ser expedido para o local de entrega. As empresas dos Estados-membros do Espaço Schengen beneficiam da rapidez do transporte das suas mercadorias, facilitado pela liberdade de movimento que têm sem o controlo das fronteiras, o que lhes permite disponibilizar as suas mercadorias a um preço mais competitivo e reduzido. Este é um fator importante que contribui para que a UE seja hoje considerada como a maior área económica do mundo.

Fronteiras digitais

As empresas, em particular aquelas que estão envolvidas na economia digital, tendem a ignorar as fronteiras convencionais dos países. A livre troca de informações ou ideias é fundamental para captar potenciais clientes. Assim, a existência de barreiras ao longo das fronteiras físicas em contraste com a revolução tecnológica dos últimos anos só contribui para um mundo cada vez menos interligado. As redes sociais já fazem parte do quotidiano, permitindo que as pessoas comuniquem entre si, ultrapassando todas e quaisquer fronteiras, independentemente do ponto do globo onde estejam.

A nível europeu, têm-se desenvolvido esforços para uma colaboração digital mais estreita entre os Estados-membros da UE, com o objetivo de se formar um Mercado Único Digital. A ideia é reforçar o princípio de livre circulação e expandir o seu alcance para as normas comerciais comuns que regulam as compras online de bens e serviços.

Consequências do fim de Schengen

As normas e acordos para o movimento de bens e serviços são baseados no princípio de livre circulação de Schengen. Em primeiro lugar, caso o Acordo não seja mantido, o custo aproximado para a indústria de encomendas expresso, por exemplo, poderia rondar os 80 milhões de euros por ano. Estes custos recairiam, inevitavelmente, ​​nos consumidores, caso houvessem alterações ao Acordo de Schengen.

Em segundo lugar, se os controlos fronteiriços forem reintroduzidos, o impacto sobre o tempo de entrega e os custos, inevitavelmente, subirão e serão pagos por todos os que pretendam viajar ou enviar bens ou serviços dentro da UE. Também seria menos atraente para as empresas online estabelecerem-se no Espaço Económico Europeu.

Por último, os cidadãos europeus seriam extremamente prejudicados, uma vez que dois terços dos negócios das empresas na UE são realizados com empresas de outros Estados-membros. A maioria dos supermercados, por exemplo, depende de mercadorias importadas de outros Estados-membros, de modo que todos os clientes desses supermercados iriam sofrer um aumento dos encargos financeiros com as compras dos bens mais essenciais. Em suma, o poder de compra e a qualidade de vida da maioria das pessoas seriam afetados.

Conclusão

O fato de os países que não fazem parte de Schengen (como o Reino Unido) já sentirem a pressão do aumento da imigração mostra que os controlos nas fronteiras não são suscetíveis de mudar os fatos.

Em última análise, o enorme aumento de refugiados e imigrantes é um produto do falhanço das políticas e dos problemas internos de países fora da Europa. Até que estes sejam resolvidos, a Europa não deve atirar no próprio pé através da implementação de restrições do Espaço Schengen, que poderão ter um impacto bastante negativo sobre a economia europeia.

Como está o Mundo em 2015?

A Europa vive, neste momento, cinco situações totalmente distintas entre si, que leva a pensar que ainda existem muitos problemas por resolver.

1 – A vaga de refugiados que tem entrado na Europa, tem obrigado os países a ajustarem-se e a criarem condições económicas e sociais para receber esta “massa” de pessoas. Muitos fogem da guerra imposta pelo Estado Islâmico nos últimos anos, outros, oriundos de países como o Afeganistão e Iraque aproveitam a “corrente” para entrar na Europa;

2 – O conflito Rússia-Ucrânia, aparentemente estabilizado, continua a ser uma situação por resolver, que mostrou a falta de poderio militar da Europa, que mais uma vez esperou que os EUA entrassem em acção. Infelizmente, o continente em que vivemos apenas tem poder económico, o que ficou bem patente nas sanções económicas impostas à Rússia e que tiveram enorme impacto na sua Economia;

3 – O 3º Resgate financeiro da Grécia será com toda a certeza o último e por essa razão nos próximos 3 anos ficaremos a saber se a Grécia conseguirá implementar as medidas com as quais se comprometeu perante a Troika (FMI, BCE e EU), ou se, mais uma vez, irá “assobiar para o lado” e esperar pelo dinheiro que há-de vir;

4 – Volkswagen – o mais recente escândalo empresarial, não seria por mim referido, não fosse tratar-se do maior produtor automóvel mundial, uma das maiores empresas alemãs e europeia, com fábricas em muitos países e empregadora de milhares de pessoas. Este escândalo terá consequências imediatas na imagem e vendas da empresa. A médio longo prazo, terá que pagar muitos milhares de milhões de euros de indemnizações pela fraude em que se viu envolvida;

5 – No inicio deste ano assistimos a um referendo na Europa, com os eleitores escoceses a terem de optar entre continuar a pertencer ao Reino Unido ou tornarem-se independentes. Após grande debate e um discurso eloquente, a poucos dias do referendo, por parte do escocês e Ex-Primeiro Ministro do Reino Unido, Gordon Brown, que acabou por inclinar o resultado do referendo para a continuação da Escócia no Reino Unido, também em Espanha tivemos eleições na Catalunha, com os eleitores catalãs a votar, de forma inequívoca, nos partidos que apoiam a independência da região. Prevê-se nos próximos meses, um longo processo de desagregação da Catalunha a Espanha, o que poderá ter como consequência, outras regiões, que igualmente aclamam pela sua independência, como o País Basco ou a Galiza, reivindiquem a independência. A acontecer, conduzirá a uma desagregação de Espanha tal qual a conhecemos há mais de 400 anos;

Na China, verificou-se a existência de uma bolha especulativa, tanto na Bolsa como no ramo imobiliário. Recordo-me de, há 2 anos atrás, ter visto uma reportagem que mostrava as “cidades fantasma” que existiam por toda a China. Um dos ramos que mais faz impulsionar o crescimento do PIB de um país, é o ramo da construção, por ter um enorme efeito multiplicador em termos de mão-de-obra e matérias-primas, e os chineses construíram cidades inteiras onde vivem escassos habitantes. Por outro lado, o Banco Central da China é comandado pelo Governo Chinês, o que conduziu a que, parte do problema bolsista, tenha sido estancado com injecção de dinheiro. No entanto, o problema continua a subsistir.

No Brasil, o escândalo denominado como “mensalão” (escândalo de corrupção política, que consistiu na compra de votos dos deputados do Congresso Nacional do Brasil), apesar de ter vindo a público em 2005, encontra-se a ser julgado neste momento, o que tem conduzido a uma descredibilização do sistema político brasileiro. Junta-se a isto, o escândalo que assolou a maior empresa do Brasil, a Petrobrás, com o desvio de dinheiros públicos em favorecimento da empresa e a conivência e pagamento a deputados. Todos estes escândalos vieram retirar credibilidade ao Brasil, que recebeu em 2014 o Mundial de Futebol e receberá em 2016 os Jogos Olímpicos. Para além disto, a Presidente Dilma sofre desde as últimas eleições grande contestação interna, sobretudo nos estados mais ricos (São Paulo e Rio de Janeiro), recordo-me que, no dia seguinte a ter vencido as últimas eleições, o índice bolsista BOVESPA, índice que contempla as principais empresas brasileiras, sofreu uma enorme queda.

A queda do preço do petróleo no decorrer de 2015 deixa antever que, a redução drástica no preço desta matéria-prima, veio para ficar, pois um dos maiores produtores mundiais, o Irão, que durante anos se viu impedido a vender petróleo no mercado, é de novo um player de “peso” neste mercado, a juntar ao menor crescimento económico da China, maior consumidor de petróleo do mundo, e decréscimo de consumo por parte do EUA, em substituição por gás de xisto. Este fenómeno terá um enorme impacto em produtores como Angola, Venezuela, México e Rússia, que sustentavam grande parte do seu crescimento económico nesta matéria-prima. Com a queda do preço, deixa de ser viável extrair petróleo, pois os custos associados à extracção, são superiores ao preço de mercado.

Perante toda esta indefinição, os EUA, surgem com uma situação económica favorável, tendo registado um crescimento económico em 2014 de 2,2%, crescimento que também se prevê para 2015. Apesar da indefinição política, não se sabendo quem será o sucessor de Barack Obama, o país vive um bom momento e surge no seio das Economias já abordadas, como a que menos fragilidades apresenta.

Portugal, no contexto de todos os problemas que assolam a Europa, poderá vir a ser afectado em primeira instância pelo escândalo Volkswagen, por via da Auto Europa, uma das maiores empresas exportadoras do país. Em termos políticos, amanhã ficaremos a saber qual o partido ou coligação que ganhará as eleições, e se o mesmo terá maioria parlamentar. A não existir maioria parlamentar, se haverá coligações ou acordos parlamentares entre partidos relativamente a matérias essenciais como o Orçamento, ou um Governo de maioria relativa. Uma coisa é certa, ficará definido o futuro do país nos próximos 4 anos. Esta indefinição política contrasta com uma melhoria das condições económicas, redução do desemprego, maior atracção turística, saldo primário positivo, balança comercial positiva, redução do IRC, que traz esperança e novo animo a um país que viveu 4 anos de austeridade massiva derivado ao Programa de Ajustamento a que foi sujeito.

Moçambique – Investimentos com Futuro

Uma economia em expansão, os mega projetos em áreas estratégicas têm vindo a ser alvo de atenção global. O investimento direto estrangeiro é uma das prioridades do governo de Moçambique.
Com o apoio dos mega projetos, e uma politica expansionista direcionada para a exportação, aumento do consumo privado, erradicação da pobreza, o PIB de Moçambique cresceu entre 2010 e 2012 a uma média de 7,1% ao ano e prevê-se para 2015 um crescimento na ordem dos 8%.

Inúmeras oportunidades de negócio em todos os setores da economia
Os principais projetos de investimento incidem em setores como o alumínio, energia elétrica (especialmente a hidroelétrica), o gás natural, titânio, carvão. No entanto estes mega projetos têm favorecido o crescimento do setor agrícola e gerado um grande boom na construção de infra-estruturas básicas.

Recentes descobertas de gás natural (4ª posição ao nível das reservas
A riqueza neste recurso aliada á estabilidade política alcançada foram o combustível para o progresso conseguido. A descoberta das reservas de gás natural veio desenvolver algumas das zonas geográficas mais esquecidas pela globalização, localizadas num país que esteve entre os dez mais pobres do mundo.

Estrutura demográfica muito jovem (46% da população com idade inferior a 15 anos)
Um país com muita população em idade ativa á procura de um lugar no mercado de trabalho. Apesar de existir ainda alguma escassez de mão-de-obra qualificada, o sistema de ensino, com os recentes aumentos do investimento na educação e com a melhoria da qualidade do Ensino Superior, tal como o aumento de jovens que o frequentam tendem a inverter as estatísticas atuais a médio prazo.

Porta de entrada para a Zona de Comércio Livre da SADC
Investir em Moçambique significa muito mais que estarmos a apostar num mercado de 22 milhões de consumidores. Estamos na verdade perante a oportunidade de aceder a um mercado de 250 milhões de consumidores. Denominado SADC (Southern African Development Community), comunidade constituída por 15 países localizados no sul do continente Africano, na sua maioria ricos em recursos naturais e com realidades de estabilidade política e projeções de crescimento económico. Podemos destacar alguns países como África do Sul (a maior potência do continente) e Angola (mercado emergente).

Para poder obter a informação sobre a documentação necessária e legislação para investir em Moçambique aconselho a consulta do site da Caixa Geral de Depósitos, na área de apoio ás empresas e internacionalização. Se pretende começar por investir á distância e saber os produtos de investimento ideais a SOFID – Sociedade Financeira para o Desenvolvimento tem disponível o Fundo Investimento, especializado e destinado apenas ao mercado moçambicano, participando no financiamento de diversos projetos promovidos por parcerias luso-moçambicanas.