Saiba como renegociar um empréstimo

Ao longo das nossas vidas, acontecerão eventos imprevistos, que nos farão ter de optar e fazer escolhas que não estavam nos nossos planos. As escolhas mais confusas são muitas vezes relacionadas com o nosso dinheiro, especialmente contas e empréstimos que não conseguimos pagar. Nessas situações, é importante e urgente renegociar os empréstimos. A renegociação de um empréstimo não é nenhuma tarefa impossível e é um passo fundamental para equilibrar as suas contas.

A renegociação dos empréstimos tem ganho um novo fôlego desde 2013. Foram publicados vários diplomas legislativos com o objetivo de facilitar o contato entre a instituição credora e o cliente. Entre outros aspetos, as instituições financeiras passaram a ser obrigadas a detetar sinais de risco de incumprimento e a esperar 90 dias para avançar com a resolução judicial de atrasos no pagamento das prestações.

Saiba Quais os sinais de que vai ficar endividado

Conheça abaixo algumas dicas para renegociar um empréstimo:
– Se estiver em dificuldades para cumprir com o pagamento dos empréstimos que contraiu, o primeiro passo a seguir é contatar o seu o banco. Quanto mais cedo o fizer, mais fácil pode ser a resolução do seu problema. Informe a instituição financeira que lhe concedeu o crédito um panorama da sua real situação. Seja honesto e demonstre que, face à sua realidade do momento, se os termos do contrato de empréstimo não forem renegociados, você poderá não conseguir pagar e ter de pedir a insolvência.
Ao informar ao banco sobre as dificuldades financeiras, em princípio, a família será inserida no PARI (Plano de Ação para o Risco de Incumprimento), o que, pelo menos, vai obrigar o banco a olhar para a sua situação financeira.

– Não se deixe pressionar por alguma insistência que possa haver. Se tiver dúvidas, questione até ficar devidamente esclarecido. Deve utilizar o Livro de Reclamações, sempre que fique descontente com alguma atitude por parte das instituições financeiras.

– Se pagar as prestações de uma forma tardia ou estar mesmo em incumprimento com algum pagamento, irá aumentar as probabilidades de uma renegociação, pois quem empresta está mais suscetível a negociações face a essa situação. Isto não quer dizer que o faça de uma forma deliberada, quer somente demonstrar que deve agir de uma forma estratégica.

– Se estiver já na situação de incumprimento, peça uma modificação das condições do seu empréstimo. Atualmente as instituições financeiras já contam com vários instrumentos para lidar com o incumprimento. No caso do banco concluir que o cliente tem capacidade para regularizar a sua situação, deve apresentar propostas para renegociar o crédito ou consolidar outros contratos.
As instituições financeiras não podem cobrar aos clientes comissões pela revisão de contratos inseridos nos regimes de incumprimento, o que abrange também o Regime Extraordinário do crédito à habitação para famílias em situação económica muito difícil. O objetivo destes regimes é permitir condições mais vantajosas para pagar o empréstimo, que podem passar por um período de carência mínimo de 12 meses e máximo de 48 meses ou uma redução do spread durante o período de carência até ao mínimo de 0,25%.

– Antes de fechar a renegociação, certifique-se que os novos termos e condições do empréstimo acordados são efetivamente possíveis de cumprir. Caso contrário, irá perder toda a credibilidade junto do banco. Antes de se comprometer com algum contrato, analise atentamente todas as condições contratuais.

Crédito Consolidado

O crédito consolidado é uma solução financeira personalizada e dirigida as pessoas para agregar vários créditos num só, de forma a diminuir os encargos financeiros mensais do orçamento familiar. Geralmente, no crédito consolidado os prazos para liquidação da dívida são alargados, resultando numa diminuição das prestações a pagar. Existem duas modalidades de crédito consolidado:
– Crédito consolidado com hipoteca
– Crédito consolidado sem hipoteca

O crédito consolidado com hipoteca é a modalidade mais praticada e tem por base um crédito hipotecário. Habitualmente, o investidor contrai uma segunda hipoteca sobre o imóvel, ficando este como garantia do crédito consolidado. A instituição financeira que fornece o crédito consolidado tem assim direito a ficar com o imóvel, em caso de se verificar incumprimento do contrato de crédito.

Enquanto no crédito consolidado sem hipoteca, não existe a necessidade de ter ou de dar um imóvel para fazer a consolidação dos créditos. Esta modalidade de crédito consolidado é difícil de obter e normalmente os clientes com incidentes ou prestações de créditos em atraso, vêem os seus pedidos rejeitados na hora. Além disso, esta modalidade pode oferecer condições menos favoráveis do que a modalidade de crédito consolidado com hipoteca. Apresentando um prazo de pagamento mais curto e em prestações de valor superior, porque é um crédito com um maior risco associado.

Algumas das vantagens do crédito consolidado são os seguintes:
– Menos credores;
– Redução das prestações mensais;
– Melhor gestão dos prazos de pagamento.