SÍRIA E ALEPPO, QUE FUTURO?

Há alguns anos, Aleppo era uma cidade com ruas repletas de alegria e movimento que se fazia sentir pelos seus 2,13 milhões que a habitavam (de acordo com últimos censos oficiais de 2004). Era um importante centro urbano, financeiro e comercial devido à sua estratégica posição entre o Oriente e o Ocidente, ao ponto de ser dominada, sucessivamente, por vários povos, entre eles egípcios, romanos e árabes. Situada no norte da Síria, Aleppo (em árabe, Halab), uma das mais antigas cidades do mundo, é mencionada no Antigo Testamento. No entanto, a existência de um povoado anterior é indicada por vestígios pré-históricos que remontam a cerca de 6000 a.C. Aleppo tinha o estatuto de ser uma cidade rica em indústria manufactureira e por ser um dos principais destinos turísticos da região (é, inclusive, Património Mundial pela UNESCO desde 1986).

Em 2011, quando estalaram os protestos contra Assad, a cidade não foi palco de grandes manifestações como noutras localidades sírias. Mas no ano seguinte, Aleppo tornou-se num autêntico campo de batalha após uma iniciativa dos rebeldes para expulsar as forças governamentais.

A reconquista de Aleppo, que desde o de 2012 está dividida entre zonas controladas pelo governo (lado ocidental) e outras por rebeldes (lado oriental), constitui a maior vitória do presidente sírio Bashar al-Assad desde que começou a guerra civil. Esta vitória só foi possível através do apoio dos seus aliados russo, iraniano, das milícias xiitas do Hezbollah libanês, do Iraque e, até, do Afeganistão. Os russos, através do seu poderio aéreo e os dezenas de milhares de combatentes xiitas, coordenados pela Sepah Pasdaran – Guarda Revolucionária Iraniana, foram os grandes responsáveis por entregarem Aleppo ao regime, bombardeando-a, cercando-a e, finalmente, invadindo-a. Mas o seu peso na batalha mascara uma realidade penosa para Assad. Sem os seus tradicionais aliados, o exército sírio parece pouco capaz de assegurar e preservar o resto do território que está fora das suas mãos. A reconquista de Aleppo levou a uma autêntica concentração do esforço militar nessa missão, obrigando a descurar outras necessidades militares como era o caso da protecção à cidade de Palmyra. Essa opção permitiu ao Daesh reconquistar a cidade. Para além da derrota, as forças sírias perderam também muito equipamento militar para os extremistas.

Nos últimos anos, foram diversos os analistas que repetiram insistentemente que Aleppo seria a chave da guerra. Com esta reconquista, Assad passou a exercer controlo sobre os cinco grandes centros urbanos do país – Aleppo, Homs, Hama, Damas e Latakia.

Os rebeldes possuem nas suas fileiras grupos como Jabhat al-Nusra, conhecido como Frente al-Nusra – grupo que funcionava como uma espécie de sucursal síria da Al-Qaeda, e cuja nova denominação é Jabhat Fateh al-Sham e, ainda, o Jund al-Aqsa. Estes detêm algumas porções do território sírio, nomeadamente, em Idlib, a sudoeste de Aleppo, onde os seus terrenos são vastos, mas também rurais e pouco relevantes na economia síria. A oposição armada (rebeldes), sem o controlo de Aleppo, é uma força sem argumentos para negociar qualquer tipo de transição política segundo os seus interesses.

Deste modo, a acumulação de fracassos no terreno, somada ao fim da “era Obama” e à tomada de posse de Trump, quase de certeza significará uma redução dos apoios americanos e, desse modo, uma tentação de maior radicalização. Trump e o seu secretário de Estado, Rex Tillerson, deverão virar atenções para o combate ao Daesh e ao terrorismo, deixando para depois a situação da Síria, num período pós-Assad.

Tal como supramencionado, se é verdade que a captura de Aleppo não termina a guerra, também é verdade que a oposição – totalmente fragmentada, radicalizada e sem domínios urbanos relevantes – parece condenada a uma reinvenção. E aqui é importante salientar a derrota pesada que os EUA e os seus aliados europeus sofreram na sua estratégia. Isto é, criar uma oposição forte a Assad e fazer das tropas curdas o seu exército no terreno, em troca de uma futura divisão da Síria para a criação de um estado curdo. Na Síria, a administração Obama equivocou-se: pensou que a intervenção russa seria um desastre para Putin. A isso juntava-se a hipótese de Hillary Clinton ser presidente dos EUA, o que aumentaria a pressão sobre a Rússia. Outro erro. Os russos não se atormentaram e evitaram que as sucessivas negociações permitissem o reagrupamento dos rebeldes armados por Washington e pelos seus aliados.

Contudo, o posicionamento do agora presidente americano na Síria abre novas oportunidades de cooperação frutífera com a Rússia. A cooperação entre Rússia e os Estados Unidos é, de facto, condição sine qua non para a conquista de acordos de paz.

Neste momento, Assad está diante de três opções de acção. A mais provável é que as tropas do regime avancem em direcção a Sudoeste, onde se encontra a província de Idlib. Uma outra possibilidade seria dirigir-se ao Leste e ao Sul para  combater o grupo Daesh.
A terceira via, mais diplomática, seria uma negociação envolvendo principalmente três países: a Turquia, representando os rebeldes, e a Rússia e o Irão, aliados de Assad. Os países ocidentais e os do Golfo também poderiam ser chamados a participar.

Enquanto isso, a guerra caminha para o seu sexto ano, para cerca de meio milhão de mortos e para 5 milhões de deslocados e o regime e os seus aliados não estão ainda perto de ter o país sob controlo. Nos desertos do leste domina ainda o Daesh; no noroeste existem vastos territórios rurais rebeldes; os curdos reclamam alguma autonomia no norte e, no extremo sul, na fronteira com Israel, há ainda grupos organizados de oposição.

Agora resta saber qual é a capacidade militar do regime para manter Aleppo e as outras cidades, para reconquistar Palmyra e, eventualmente, desencadear um ataque à capital do Califado, a cidade de Al-Raqqah. Falta também saber qual a capacidade da oposição síria, em particular do Exército Livre da Síria (ELS), para reagrupar forças e tentar obter apoios internacionais para manter a oposição militar ao regime de Assad. 

Em suma, guerra não acaba em Alepo. A morte também não. Mas chegou a hora em que as principais partes envolvidas terão que tomar decisões cruciais. Ou coordenarão esforços ou continuarão em precário equilíbrio, nas fronteiras do confronto directo.

Autor: André Ratinho Pereira. Natural de Lisboa, onde reside, nasceu a 16/07/1993. É licenciado em Ciência Política pelo ISCTE-IUL. É mestre em Economia Monetária e Financeira no ISCTE Business School.
E-mail: andreratinhopereira@gmail.com

O QUE ESPERAR DOS PRIMEIROS DIAS DA PRESIDÊNCIA DE TRUMP NOS EUA?

A vitória de Donald Trump é uma revolução de que ainda está para se perceber o futuro.
Contudo, ao longo da campanha eleitoral, foi possível descortinar algumas das medidas que Trump pretende incrementar e este artigo visa precisamente elucidar de um modo mais claro as principais, subdivididas em diversas áreas, que vão desde a política externa, às relações comerciais, à política social, económica, e por fim, à ambiental.

A meu ver, em relação à política externa, Trump irá repensar as garantias de protecção aos aliados da NATO, tendo já afirmado que os EUA já cumpriram todas as “obrigações” para com a aliança militar. Como tal, ameaçou retirar todas as tropas americanas estacionadas na Europa e Ásia, isto se os seus aliados não contribuírem com um maior peso dos seus orçamentos na já referida organização militar. O possível isolacionismo americano só poderá ser terrífico para a Europa, muito dependente da guarda-chuva militar dos EUA. Por outro lado, Trump gerou controvérsia ao declarar que o povo da Crimeia – que Moscovo anexou em março de 2014, na sequência da queda do Presidente ucraniano pró-russo, Víktor Yanukóvytch – deseja ser governado pela Rússia e que, se fosse eleito, ia analisar a possibilidade de reconhecer legalmente a anexação da península. A NATO teme, portanto, que Trump transforme o que poderá ter sido mera retórica de campanha numa política da sua administração, num grande acordo com Putin, cedendo a Crimeia e o leste da Ucrânia, em guerra há quase 3 anos, em troca de não-interferência da Rússia nos estados bálticos. Tal acordo seria visto, por Moscovo, como um álibi político para alargar a sua esfera de influência no leste europeu e daria a impressão errada de que, se aguardar tempo suficiente, a NATO, a UE e os americanos vão enfim ceder.

Quanto ao comércio externo, pretende renegociar o North American Free Trade Agreement (NAFTA) e abandonar o Trans-Pacific Partnership (TPP) – acordo de livre comércio estabelecido por doze países banhados pelo Oceano Pacífico e que implicaria a diminuição de tarifas e a unificação das regras de copyright. O acordo é semelhante ao Transatlantic Trade and Investment Partnership (TTIP), mas este aplicado à UE. Assim, antecipa-se que vá quebrar o compromisso dos Republicanos com o comércio livre e apostar numa série de políticas proteccionistas para fechar as fronteiras económicas do país.

Debruçando-me neste momento para a política social, Trump quer assinar a maior “revolução tributária” desde a administração Reagan e, assim, aprovar uma descida de impostos pagos pelos trabalhadores e PME’s através de uma simplificação gradual do sistema de impostos. O Patient Protection and Affordable Care Act (PPACA), comummente conhecido por Obamacare, deverá ser substituído por outro sistema de comparticipações intitulado de “Contas de Poupança de Saúde”, onde serão os estados, e não o governo federal, a decidir como gerir os fundos do sector da saúde.

Uma outra grande questão prende-se com o Supremo Tribunal norte-americano. Neste ponto, Trump vai, provavelmente, poder nomear um juiz conservador para ocupar o lugar deixado vago a meio da campanha eleitoral pela súbita morte de Antonin Scalia. Tal tomada de decisão poderá traduzir-se na reversão de históricas conquistas, como a garantia do direito das mulheres a interromperem gravidezes indesejadas e do casamento entre pessoas do mesmo sexo, legalizado a nível federal em junho de 2015. Com a idade já avançada de alguns dos juízes do Supremo, caso da liberal Ruth Bader Ginsburg, a médio prazo poderá conseguir o domínio conservador da mais alta instância judicial.

É um exercício impossível prever a política económica que ele poderá seguir. Trump não só nunca formou uma equipa séria de conselheiros económicos com ideias formadas e publicadas, como raras vezes afirmou algo de palpável. Em termos fiscais, o recém-eleito presidente norte-americano, viveu toda a sua vida com base em crédito. Todo o seu império imobiliário foi construído com base em dinheiro emprestado e sempre o fez até ao limite, sem receio de abrir falência tendo acontecido, até, com algumas das suas empresas. Juntando-se isto à natureza populista, prevejo uma aposta clara nas infra-estruturas internas como meio de impulsionar a economia e o emprego – o único momento de claridade no seu paupérrimo discurso de celebração de vitória. Tal constituirá um tiro certeiro na política económica de austeridade europeia e será feita a contraciclo do que a Europa, liderada pela Alemanha, tem vindo a pregar activamente nos últimos anos, com a sua política de austeridade pura e dura. Trump percebeu que o mal-estar da força de trabalho americano não só era um trunfo eleitoral, como também algo que o país não pode perder e, por isso, virar-se-á, sobretudo, para o interior dos EUA. Fomentar emprego depressa, a relembrar o New Deal de Roosevelt, é uma prioridade política. Consequentemente, o défice público irá disparar e daqui a quatro, ou oito anos, Trump deixará a White House com uma enorme dívida por saldar.

No que diz respeito à política ambiental, o voto recaiu sobre o candidato que se prepara para colocar, em lugares de decisão, um conjunto de indivíduos que recusam o paradigma das alterações climáticas, amplamente confirmado nos dados recolhidos durante as últimas décadas. A questão central relaciona-se com a tese negacionista do futuro presidente americano somada ao conluio da futura administração com a classe empresarial, em geral, e a indústria dos combustíveis fósseis, em particular. Deverá, portanto, cancelar os milhares de milhões de dólares investidos em programas da ONU de combate às alterações climáticas, assim como acabar com as restrições ao fracking, que permite a extracção de petróleo, carvão e gás de xisto em território americano. Numa outra perspectiva, como se não bastasse ver Trump a exercer o seu poder nas três frentes: Supremo, Senado e Congresso, não escondeu a sua intenção de nesta fase de transição colocar os assuntos da EPA (Environmental Protection Agency) nas mãos de Myron Ebell, um assumido negacionista das alterações climáticas. Tal se afigura um notório recuo face às negociações internacionais consubstanciadas no Acordo de Paris para o clima, aprovado por 195 países que se comprometeram a reduzir as emissões de gases de efeito estufa, numa derradeira tentativa para travar o aumento de temperatura média global.

O candidato anti-establishment quer mudar o país, a começar, desde logo, em Washington, com medidas restritas que penalizem práticas associadas ao lobbying. Assim, este promete lutar contra a burocracia, aprovar uma emenda constitucional que imponha limites aos mandatos de todos os membros do Congresso e adoptar uma nova “ética” na política, de modo a interditar o acesso ao sector privado durante 5 anos por parte de qualquer político com poderes executivos e prometeu, ainda, congelar as contratações de funcionários federais para reduzir o tamanho do Governo.
Em suma, Trump abriu as portas a um novo paradigma, sinal do fim de um ciclo político e económico e, certamente, estes serão tempos de transição e incerteza que não nos esclarecem, concretamente, sobre qual a rota que seguirá o planeta.

Não resta outra solução que não esperar, isto para mal de quem tem tido a presença constante dos EUA, como pacificador (ou fomentador) de conflitos internacionais.

Autor: André Ratinho Pereira. Natural de Lisboa, onde reside, nasceu a 16/07/1993. É licenciado em Ciência Política pelo ISCTE-IUL. É mestre em Economia Monetária e Financeira no ISCTE Business School.
E-mail: andreratinhopereira@gmail.com

DONALD TRUMP, O ABOMINÁVEL CISNE NEGRO

O cisne negro, o altamente improvável Donald Trump ganhou as eleições americanas e tornou-se no 45º Presidente dos EUA, cargo que ocupará a partir do dia 20 de Janeiro de 2017. Era completamente inverosímil que Trump pudesse derrotar os pré-candidatos republicanos e muito menos depois arrasar Hillary Clinton mas o cisne negro conseguiu surpreender tudo e todos.

Trump conquistou a Casa Branca com um discurso anti-imigração, prometendo construir um “grande e belo muro” na fronteira com o México. A sua maior promessa é encerrar os EUA na sua concha de raiz isolacionista e voltar a um passado idílico: Make America Great Again. Evidentemente nada disto é particularmente original se comparado com o discurso dos novos partidos de extrema-direita europeus enraizados num nacionalismo cego e profundamente eurocépticos, como a National Front de Marine Le Pen ou o Alternative für Deutschland de Frauke Petry. Esses e outros líderes de partidos populistas europeus com ideologia semelhantes saudaram entusiasticamente a vitória de Trump, encarado como a vanguarda de um movimento internacional de libertação dos povos, quebrando, desta maneira, o momentum de Clinton.

A campanha eleitoral foi marcada por ataques sucessivos e golpes abaixo de cintura parte a parte mas Trump soube trabalhar o carisma de herói improvável, campeão do povo impotente contra os vícios de um sistema puramente tentacular, que tratou de personificar na sua adversária. Trump impôs-se nos estados decisivos nas eleições americanas, em particular em estados da cintura industrial do Midwest, considerados seguros para os democratas, como Michigan, Pensilvânia, Ohio e Wisconsin, que já em 1984 tinham votado em Ronald Reagan – os chamados Reagan Democrats doravante designados também por Trump Democrats. A abrangência e diversidade da população que elegeu Trump parecem exprimir sinais importantes sobre a evolução política do eleitorado americano assente no cada vez maior afastamento do establishment americano.

Mas vamos por partes: o que aconteceu ao certo para Trump ter vencido estas eleições, à partida irreversivelmente perdidas? Importa analisar, em primeiro lugar, os 2 mandatos de Barack Obama. Ao fim de 8 anos de um Presidente afro-americano, temos uma América com problemas sociais agravados e uma Europa a viver um momento de fragmentação em parte devido ao fluxo de refugiados causados por um imbróglio no Médio Oriente no qual Obama tem graves responsabilidades indirectas. A sua oratória de pregador da igreja evangelista é de facto impressionante e ao mesmo tempo cativante. É um homem genial mas não foi um presidente genial. Prometeu uma mudança que não conseguiu impor. Num outro ponto de vista, Trump não está totalmente errado em tudo o que diz quando acusa a administração democrata de ter “criado” o Daesh. De facto, a saída do Iraque, tal como processada – com data anunciada publicamente, originou uma sensação de falsa calma e permitiu nomeadamente que o governo xiita de Bagdad preparasse uma autêntica purga aos sunitas que acabaria por se repercutir na Europa. O fluxo de refugiados que continuamente desembarcam nas costas do Mediterrâneo teve influência nos resultados do Brexit, alimentando uma bola de neve imparável e cada vez maior de nacionalismos egoístas e europeus anti-europeístas.

Com Clinton no poder, tudo se manteria na mesma. Convenhamos, Clinton não é nem nunca foi santa, era aliás padroeira de um sistema corrompido de que sempre pertenceu e que com ela prevaleceria. Deste modo, Trump sempre foi visto como um outsider num genuíno show eleitoral projectado a priori para transformar Clinton na primeira mulher Presidente dos EUA. Aquilo a que assistimos não foi a cobertura das eleições americanas, mas antes uma vasta campanha publicitária dos media sem precedentes que fizeram o endorsement a Clinton onde até revistas apolíticas como a Variety participaram e onde assistimos a um conluio a Trump nas mais variadas personalidades da alta cúpula do Grand Old Party. Trump foi alvo da maior e mais violenta campanha de ataques pessoais que alguma vez presenciei na minha vida. A eleição deste foi tão-somente o triunfo da democracia e uma derrota inequívoca dos meios de comunicação social. A vitória de

Trump é uma revolução de que ainda está para se perceber o futuro e o seu discurso, ainda que por vezes seja rude, desarticulado e populista, foi sendo interpretado como uma manifestação de audácia e independência, face a uma cultura dominada pelo tabu do politicamente correcto.

Creio que os próximos tempos serão marcados por uma imprevisibilidade latente embora ache que a maioria dos cenários catastróficos e opiniões apocalípticas niilistas que já tive oportunidade de ler na imprensa pública e estrangeira são algo exacerbados. A meu ver, Trump acabará por se tornar lenta mas gradualmente num republicano moderado e liberal, numa espécie de antítese do que foi ao longo de toda a campanha.

A Europa reagiu com desconcerto à eleição de Trump mas talvez seja este o momento que a Europa tanto ansiava. Perante a cada vez mais evidente bicefalia de equilíbrio de poderes no Mundo, entre 2 blocos coesos e ameaçadores, como os EUA de Trump e Federação Russa de Putin, esta parece-me ser a oportunidade de a Europa voltar a ganhar o seu próprio protagonismo político como outrora o teve. Parece-me evidente, portanto, que perante um presidente norte-americano anti-sistema e anti-globalização e um czar russo ávido em ideias expansionistas em termos territoriais, só resta à Europa unir-se e assim salvar-se.

Autor: André Ratinho Pereira. Natural de Lisboa, onde reside, nasceu a 16/07/1993. É licenciado em Ciência Política pelo ISCTE-IUL. É mestre em Economia Monetária e Financeira no ISCTE Business School.
E-mail: andreratinhopereira@gmail.com

BREXIT – QUE FUTURO PARA A UNIÃO EUROPEIA?

Depois de 43 anos de integração regional, o Reino Unido deverá nos próximos anos ativar o artigo 50º. do Tratado de Lisboa, que estipula as regras de saída de um estado-membro e que nunca foi usado. Muitos vaticinam já o fim de um bloco criado no rescaldo da II Guerra Mundial para fomentar a paz e a cooperação entre as nações do continente europeu, depois de séculos de conflitos.
A extrema-direita está a apanhar boleia da vitória do Brexit para clamar a vitória e exigir referendos em mais países. A probabilidade de outros estados-membros seguirem o exemplo do Reino Unido são mais reais que nunca.

Na Alemanha, a líder do Alternative für Deutschland – Frauke Petry -, o partido da direita conservadora e anti imigração refere que o resultado é um tiro de aviso à União Europeia para acabar com a experimentação quase socialista, caso contrário haverá mais saídas.

Em Itália, o líder da Lega Nord, Matteo Salvini também celebrou o resultado, depois de anos a ganhar popularidade com um programa eurocéptico e anti imigração. Por outro lado, Beppe Grillo, o líder do partido anti-sistema MoVimento 5 Stelle, anunciou já que vai exigir um referendo à permanência do país na moeda única, num primeiro passo ao qual se poderá seguir uma outra consulta à saída dos italianos da UE. O partido quer que o Euro acabe ou então que sejam criadas duas moedas distintas – o Euro como o conhecemos e o Euro 2. Apesar de ter sido sempre considerado como um partido das franjas descontentes desde a sua criação em 2009, o cenário alterou-se em finais de Junho, com o partido a sair dos resultados residuais nas duas voltas das eleições municipais e clamando vitórias em 19 das 20 autarquias em disputa, incluindo Roma.

Em relação à França, não seria de esperar outra coisa que não vermos Marine Le Pen, a líder do National Front, de extrema-direita, anti imigração e anti UE, a aproveitar o referendo britânico para atrair mais eleitores descontentes à sua plataforma. Le Pen já garantiu que, caso seja eleita Presidente francesa não tardaria seis meses a chamar os franceses às urnas para referendar a ligação do país à UE. As sondagens mostram que Le Pen poderá ganhar a primeira volta das presidenciais, mas que, em princípio, deverá ser derrotada na votação decisiva contra o segundo classificado.

Na Áustria, Norbert Hofer, do FPÖ, Partido da Liberdade da Áustria, foi mais comedido e apenas disse no futuro próximo os líderes irão perceber o significado da decisão.
Na Holanda, o líder do Partido PVV (Partido Popular para a Liberdade e Democracia), populista, anti imigração e islamofóbico, Geert Wilders afirmou que não só esperava uma vitória do Brexit como que a seguir a ele viesse um Nexit (termo para Netherlands + Exit), tendo como intenção levar a cabo um referendo para consulta popular.
Na Suécia, o Reino Unido é tido como o mais importante aliado dentro do bloco, entre outros pelo facto de ambos estarem fora da ZE (Zona Euro), pelo que a vitória do Brexit poderá ditar uma consulta popular semelhante nesse país.

Podemos afirmar, indubitavelmente, que este resultado no referendo britânico está relacionado com três aspectos cruciais: em primeiro lugar, a imigração, em segundo lugar, o nacionalismo, em terceiro lugar, mas não menos relevante, a preocupação com a supremacia do Parlamento e os argumentos sobre a falta de democracia na UE.
Nos próximos tempos, muita gente quererá apropriar-se da vitória do Brexit, ou porque torceram por ela, ou porque gostariam que o Brexit pudesse avançar os seus argumentos preferidos em cada um dos seus países.

Assim, depois dos choques iniciais, efeitos de médio e longo prazo estão em aberto e vão depender essencialmente das decisões e opções estratégicas que vierem a ser tomadas de um lado como do outro. Do lado do Reino Unido, o factor decisivo será verificar qual dos discursos a favor do Brexit será colocado em prática. Se prevalecer a tendência proteccionista e estatista que ambiciona fechar o Reino Unido ao mundo, serão péssimas noticias. Contudo, se prevalecer a tendência que via no Brexit uma condição sine quo non para que o Reino Unido se libertasse das restrições da UE e adoptasse políticas mais liberais a saída poderá ser positiva.

Relativamente à UE, o desejável será uma reacção de humildade democrática, moderação e respeito pela soberania (algo que a UE está infelizmente pouco habituada a fazer). De facto, o bom senso e a moderação recomendam uma postura negocial aberta e uma genuína vontade de acomodação, no sentido de manter uma relação construtiva e aberta com o Reino Unido. Se tal não acontecer e assistirmos a uma postura radical e intransigente das lideranças da UE, é de esperar que a insatisfação para com as instituições europeias aumente e que o clamor por seguir o exemplo do Reino Unido comece a aumentar em outros países membros. Se a arrogância e cegueira dos eurocratas os impedir – uma vez mais – de aprender uma lição que está à frente dos seus olhos e de ajustar o seu comportamento em conformidade, o Brexit poderá mesmo ser o fim da UE. As luzes do Brexit ainda estão longe de se apagar na Europa.

Autor: André Ratinho Pereira. Natural de Lisboa, onde reside, nasceu a 16/07/1993. É licenciado em Ciência Política pelo ISCTE-IUL. É mestrando em Economia Monetária e Financeira no ISCTE Business School.
E-mail: andreratinhopereira@gmail.com

Dicas para o ajudar a definir metas para a sua carreira

Planeamento é uma das palavras-chave que fazem a diferença entre atingir ou não o sucesso profissional ao longo da sua vida. E um dos aspetos essenciais num correto planeamento da carreira é a definição de metas. Estas irão ser marcos que o orientarão ao longo da sua vida profissional. Porque ter objetivos claros sobre o que pretende alcançar irá ajudá-lo a ter uma visão a curto, médio e longo prazo, do seu percurso. Além disso, trabalhar com metas bem definidas torna-o mais focado e motivado, promovendo ainda a colocação e utilização eficiente das suas capacidades.

Contudo, definir objetivos de carreira não deve ser feito de ânimo leve. Metas orientadoras para a sua carreira profissional não podem limitar-se a ser uma simples lista de desejos. Para o ajudar a definir metas objetivas e criteriosas para a sua carreira, deixamos várias dicas que consideramos essenciais. Saiba mais.

Dicas para a definição de objetivos para a carreira

Criar metas globais, objetivos parciais, analisar competências e capacidades, avaliar a exequibilidade, etc., são tudo aspetos a ter em conta quando definir o que pretende alcançar na sua carreira. Conheça de seguida várias dicas que o vão ajudar.

Dica 1 – Comece por criar uma visão abrangente e global daquilo que pretende atingir ao longo da sua carreira. Essa visão permitirá definir uma linha orientadora que irá unir todos as metas.

Dica 2 – Após a definição das principais metas, a tal visão global de que falamos no ponto anterior, deve então criar um conjunto de objetivos para cada uma delas. Ou seja, vários patamares que deverá alcançar de modo a chegar ao objetivo final. Estes patamares permitirão mais facilmente manter-se motivado, e ao mesmo tempo, facilita a visualização do seu progresso.

Dica 3 – Não vale a pena escolher objetivos pouco claros. Exemplos: “ser rico”, “ser o dono de uma empresa”, etc. Seja específico. Se pretende atingir um determinado patamar numa empresa, deve ser claro sobre que patamar é esse.

Dica 4 – Definir metas para a sua carreira não é o mesmo que criar uma lista de desejos. Deve analisar muito bem as suas competências, as suas capacidades e os seus recursos, e depois, tendo isso em conta, definir uma meta realista.

Dica 5 – Definir metas sem estabelecer um prazo é geralmente meio caminho andado para o seu não cumprimento. Defina uma meta temporal, que seja realista mas não seja demasiado descontraída. Esse prazo deve ser exequível, mas ao mesmo tempo, deve estimulá-lo a avançar. Estabeleça ainda uma linha temporal, onde o prazo para cada um dos objetivos parciais esteja bem definido.

Dica 6 – A vida não é feita apenas de trabalho, e por mais que deseje o sucesso profissional, e este seja importante para a vida pessoal, isso não signifique que deva ser a sua prioridade máxima. Afinal, o equilíbrio é a palavra-chave para o bem-estar emocional e familiar. Como tal, defina um plano ambicioso, mas que nunca coloque em causa o tempo com a sua família.

Siga estas dicas e conseguirá definir claramente o que pretende na sua carreira e como atingir essas metas.

Como fazer para recusar um emprego educadamente

Apesar de se viverem tempos difíceis, com um desemprego alto e condições económicas a deteriorarem-se, você não tem que aceitar qualquer emprego que surja. Caso tenha um rumo definido para os anos seguintes, por vezes dar um passo atrás é necessário para depois conseguir dar dois em frente. Por isso, recusar um emprego pode não ser tão absurdo como à partida pareça ser. No entanto, e como a vida nem sempre corre da maneira como se planeia, é importante não fechar definitivamente portas, pois no futuro podem ser necessárias. Assim, para o ajudar a recusar um emprego, sem no entanto fechar completamente a porta a essa possibilidade, é importante saber fazê-lo de uma forma educada e respeitosa. Conheça de seguida as nossas dicas para recusar um emprego educadamente.

Dicas para comunicar a rejeição de um emprego

Há algumas dicas essenciais para que a sua recusa seja vista como respeitosa, educada e não definitiva. Conheça-as e saiba como deixar uma imagem positiva durante a rejeição da vaga de emprego.

Dica 1 – Recusar um emprego não o comunicando ou fazendo de uma forma muito ligeira (por exemplo, através de um SMS), não é a melhor forma de deixar uma imagem positiva e profissional. Prefira enviar uma carta ou um email endereçado à pessoa que lhe fez a proposta ou que o entrevistou.

Dica 2 – É importante que o conteúdo da carta seja clara e objetiva, mas sem entrar em detalhes sobre os motivos que o levaram a recusar essa vaga. Os motivos são seus e podem ser vistos como razão para não o considerarem mais tarde.

Dica 3 – Se der algum motivo de recusa, não se justifique com aspetos negativos como carga horária alta ou inconveniente ou rendimento baixo.

Dica 4 – Na carta que enviar lembre-se de fazer um agradecimento pela oportunidade e por o considerarem para o lugar. Ao mesmo tempo, deixe claro que não recusou de ânimo leve, tendo pensado muito bem antes do fazer.

Dica 5 – Após lhe fazerem uma proposta de emprego, não deixe passar muito tempo até dar uma resposta. Se não está a pensar em aceitar, não protele em demasia, de modo a dar tempo à empresa de continuar a sua procura. Contudo, não recuse também imediatamente, de modo a dar a entender que avaliou muito bem a proposta antes da sua resposta final.

Dica 6 – Além de todas as dicas anteriores, que o ajudarão a recusar de uma forma educada e positiva uma determinada vaga de emprego, é essencial também deixar as portas abertas para o futuro. Assim, não deixe de o referir na comunicação que fizer com a empresa que o tenta recrutar. Para isso, mencione que não afasta a possibilidade de uma colaboração futura, em circunstâncias mais adequadas para ambos.

Siga as nossas dicas e conseguirá deixar uma imagem positiva e profissional, mesmo na hora de recusar um emprego. E no mundo do trabalho, ter uma imagem positiva perante pares e empregadores é essencial para o sucesso profissional.

Jovens no Canadá aconselharão o Primeiro-Ministro

O Primeiro-Ministro do Canadá, o liberal Justin Trudeau, lançou a iniciativa “Conselho da Juventude do Primeiro-Ministro” na sequência da sua promessa eleitoral de garantir uma voz independente e consultiva junto da mais alta esfera do poder executivo do Governo federal canadiano.

Este Conselho da Juventude do Primeiro-Ministro, distingue-se do Conselho Nacional da Juventude do Canadá (homólogo do Conselho Nacional da Juventude – CNJ), nos seguintes aspectos:

  • Composto por 30 jovens, com idades compreendidas entre os 16 e os 24 anos;
    • gap etário garante que a geração mais afectada pelas políticas económicas é ouvida.
  • Os jovens serão oriundos de todas as entidades federais (Províncias e Territórios) e de diversos backgrounds socioeconómicos;
    • A diversidade de backgrounds garante um painel diversificado de opiniões e pontos de vista.
  • Aconselharão, de forma apartidária, o Primeiro-Ministro em questões relacionadas com o emprego, acesso à educação, fortificação sociedade civil, alterações climáticas, crescimento verde/limpo, entre outros;
  • Terão que dedicar entre 10 a 20 horas mensais aos trabalhos do referido Conselho, incluindo reuniões;
  • As reuniões são organizados de forma descentralizada, podendo ser presenciais ou sobre a forma de videoconferência;
  • O mandato dos Conselheiros é de apenas 2 anos e não renovável;
    • A duração do mandato garante  que existe uma voz representativa das gerações dos Conselheiros e consequentemente uma renovação das visões e opiniões apresentadas.
  • Os candidatos são seleccionados com base no CV, sendo que o Governo federal canadiano dará preferências aos jovens com elevado grau de participação social e de voluntariado (incluindo criação de iniciativas) nas comunidades em que se encontram inseridos, bem como o seu background académico.

O Primeiro-Ministro do Canadá pretende desta forma criar um Conselho de Juventude formado por jovens desligados do ambiente partidário mas com grande participação social, ou seja, com um grande contacto directo com as realidades em que se encontram inseridos.

Esta liberalização da voz da juventude canadiana pretende ser um complemento aos conselhos de juventude partidários e comunitários existentes e formalizados, pretende dar voz a jovens líderes independentes no seio da formulação de políticas nacionais, que de outra forma poderiam nunca participar na formulação das mesmas.

A realidade portuguesa regional e nacional é completamente diferente, uma vez que o acesso das vozes dos jovens encontra-se completamente filtrada pelas estruturas legalmente previstas, impedindo que líderes de comunidades, o “simples e comum” jovem seja de certa forma “obrigado” a participar numa estrutura para fazer ouvir a sua voz.

O processo implementado no Canadá revela-se mais simples e meritocrático, mais participativo e consequentemente mais perto das reais preocupações dos jovens, em especial as relacionadas com a estabilidade económico-financeira e a empregabilidade.

Fatores que deve ter em conta antes de aceitar um novo emprego

Hoje em dia já não existem empregos para a vida. Como tal, a grande maioria das pessoas passa por diferentes empresas ao longo do seu trajeto profissional. Mudar para um novo emprego é por isso muito comum nos dias que correm. Contudo, na hora de aceitar é importante ter a certeza de que esse é o emprego certo para si. E para o ajudar a tomar essa decisão, selecionamos os fatores que deve ter em conta antes de aceitar um novo emprego.

Dicas – o que deve ter em conta antes de aceitar um novo emprego

Historial do cargo que vai ocupar

Conhecer o histórico do cargo que vai ocupar numa empresa mostra muito daquilo que o espera. Se nos últimos cinco anos esse cargo teve apenas uma ou duas pessoas, isso significa que há alguma estabilidade. Pelo contrário, se esse cargo foi ocupado por 9 ou 10 pessoas durante esses mesmos 5 anos, isso significa que algo não está bem, seja com a empresa, seja com o cargo em particular. Uma das formas de analisar este ponto é conversando com o anterior detentor desse cargo.

Motivação

Apesar de a compensação financeira ser um fator de peso, na realidade, há outros tão ou mais importantes. E se um aumento salarial é algo que motiva, se isso não for acompanhado por fatores como gostar do que vai fazer, bom ambiente de trabalho, conforto com a dinâmica da empresa, etc., dificilmente o dinheiro é motivo suficiente. Analise muito bem quais as suas motivações e se elas são satisfeitas com o novo emprego.

Informe-se sobre o seu futuro chefe

Por mais idílico que seja um emprego e as condições oferecidas, nada disso será devidamente aproveitado caso tenha um chefe intragável. Se for um bom chefe, competente e justo, você sabe que apenas terá de fazer um bom trabalho e não terá problemas. No entanto, há chefes com os quais é muito difícil se relacionar. E se algumas pessoas lidam bem com isso, a maioria não. Por isso, informe-se antes sobre o seu futuro chefe antes de aceitar um novo emprego. Uma das formas de fazer isso é conversar com futuros colegas de trabalho dessa mesma secção. Numa conversa informal facilmente conseguirá descobrir essa informação.

Garanta a correta elaboração do contrato

Durante as negociações para a aceitação de um emprego, há muitas informações e pontos específicos que são definidos entre as partes. Contudo, se nada disso for passado para o papel, elas podem ser esquecidas lá mais para a frente. Como tal, garanta que o contrato contém tudo aquilo que foi negociado, nomeadamente benefícios, salário, expetativas de carreira, período do contrato, deveres e direitos, etc.

Saiba mais sobre a sua futura empresa

Pesquise toda a informação possível sobre a empresa que o quer contratar. Notícias, presença social, saúde financeira, etc. Se algo não está a correr bem, saberá a tempo antes de aceitar o emprego. Além disso, antes da entrevista deverá saber o máximo da empresa, de modo a mostrar uma imagem positiva e informada.

Aproveite as redes sociais para se tornar mais empregável

Se está a procurar trabalho, então há alguns pontos essenciais nos quais tem que se focar. Além da necessária formação e experiência, é preciso também tornar-se mais “empregável” de modo a chamar a atenção dos potenciais futuros patrões de uma forma positiva. Atualmente as redes sociais são um ponto incontornável na vida da maior parte das pessoas, especialmente as profissionalmente ativas. A sua presença online tornou-se por isso mais um critério na possível escolha para uma vaga de emprego. De modo a aproveitar as redes sociais para se tornar mais empregável, escolhemos algumas dicas que consideramos importantes. Saiba mais.

Dicas para usar as redes sociais de modo a tornar-se mais empregável

Existem muitas redes sociais, sendo as mais relevantes o Facebook, o Twitter e o LinkedIn. Esta última pode por vezes ser muito útil, já que é uma rede social orientada para o mundo profissional. De modo a aproveitar estas redes sociais da melhor maneira para se tornar mais empregável, especialmente o LinkedIn, é importante seguir algumas dicas.

– Completar o seu perfil

O seu perfil pode dar muita informação relevante para os empregadores. No LinkedIn, especialmente, deve ter particular atenção em colocar tudo aquilo que considera importante para a vaga a que concorre, nomeadamente cargos já desempenhados, habilitações, idiomas, etc.

– Colocar exemplares de trabalhos seus

Em determinadas profissões é possível ter um portfólio. Caso seja essa a sua situação, não deixe de o divulgar através da rede social que utiliza.

– Ter uma fotografia adequada

Colocar uma fotografia bem divertida e descontraída pode ser uma excelente ideia numa rede social como o Facebook, mas no LinkedIn, um espaço mais virado para a vida profissional, o ideal é colocar uma fotografia adequada, sem no entanto ser demasiado informal ou formal. Escolha uma foto que o retrate num meio termo, de modo a chamar a atenção mas de uma forma positiva e diferenciada.

– Crie uma rede de contactos de qualidade

“Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”. Este ditado é muito importante na vida, seja ela pessoal ou profissional. Crie uma vasta rede de contactos através das redes sociais, mas ao mesmo tempo, tenha algum cuidado ao selecionar os convites que aceita. Os recrutadores que analisam o seu perfil irão também avaliar a quantidade, e sobretudo, a qualidade da sua rede de contactos.

– Recomendar

As recomendações, quando verdadeiras, são ótimas formas de aumentar a sua visibilidade. Assim, recomende as pessoas que confia profissionalmente. Além de mostrar que sabe avaliar uma pessoa competente, acabará depois por receber também recomendações por parte dessas pessoas.

– Use palavras-chave adequadas no LinkedIn

Quando um recrutador procura determinada profissão no LinkedIn, ele utiliza palavras-chave. Por exemplo, se procura um engenheiro informático, ele irá procurar por “engenheiro informático”, “Informática”, programação”, etc. Por isso, use um conjunto de palavras-chave específicas no seu perfil de modo a ser mais facilmente descoberto por um desses recrutadores.

– Crie uma imagem positiva

Esta dica está mais orientada para as redes sociais informais, como o Facebook e Twitter. Sendo mais descontraídas, são também palco de alguns excessos. Como tal, crie uma imagem virtual positiva, de modo a não afastar possíveis recrutadores.

A balança comercial e o PIB

A balança comercial está na linha da frente do debate do crescimento económico, com as diferentes forças políticas a valorizarem a sua importância para o crescimento nacional.
Para compreender esta “relação” será realizada uma análise da balança comercial portuguesa, de e para a Zona Euro, e uma reflexão sobre os seus impactos no PIB, em cada um dos seus componentes e no conjunto, e como a mesma reage as flutuações da economia real.

A balança comercial é um indicador da economia nacional, que molda o seu tecido consoante a sua orientação, no caso de um superávido (mais exportações que importações) a economia obteve um “lucro” o que significa que existe capital disponível, para novos investimentos, em caso negativo, verifica-se o oposto, e o mesmo deve ser coberto pelas reservas financeiras, de modo que a prioridade seja aumentar as exportações e diminuir as importações, sendo que (neste caso para a Europa) aumentar as exportações depende também da disponibilidade e capacidade económica do resto da Zona Euro.

É o chamado “efeito de repercussão”, quando uma economia, está em expansão tendem a existir mais compras, e mais vendas do lado exterior. O efeito de uma balança comercial de superávido é positivo por conta dos recursos que levam à mesma, se um país exporta mais, significa que teve de investir e alocar recursos ao mesmo, esse investimento, directa (emprego) ou indirectamente através de compra de material, (entre outros) influencia positivamente o tecido económico. Portanto quando um país exporta, e tem uma balança comercial de superávido, movimenta a economia e afecta positivamente o PIB.

Nos últimos anos Portugal tem registado saldo positivo na sua balança. Apesar da crise, a Europa compra mais do que vende a Portugal, o que obviamente beneficia o PIB nacional pois, a nível do consumo privado, não existe uma relação directa entre um superávido e um aumento do consumo interno, neste caso, é exactamente o contrário, o consumo privado é como se fosse uma injecção de capital na economia, o que ajuda a mesma a investir, e a conseguir os meios para exportar. No caso do consumo público, o impacto é semelhante ao do privado, se a balança comercial for deficitária não tem um impacto directo no consumo público, o que acontece é que o Estado pode redireccionar o seu investimento de modo a influenciar o tecido empresarial, e de o ajudar a exportar mais. Quanto ao investimento, a relação já é mais complexa devido ao efeito de “alavanca”. Para exportar é necessário investimento, uma balança com superávido (tem um efeito de alavanca sobre o investimento) vai puxar pelo mesmo, fazendo com que os empresários continuem a correr o risco, quanto à exportação/importação, são dois componentes da balança mas que também fazem parte do cálculo do PIB a exportação é o factor mais importante, mas mais exportações só por si não significa melhoria no PIB. Portugal não escaparia à recessão, passando de uma contracção do PIB de 3,2% para 0,2% (2015), apesar de um aumento das exportações em mais de 3% em relação ao homologo. Portugal até pode ter um superávido, mais isso pode não se refletir significativamente no PIB, pois estas valem cerca de 40%, enquanto por exemplo o consumo privado vale 65,9%, ou seja não é importante o numero ou um aumento, mas sim a sua contribuição para o total. Quanto à importação, a mesma pode ser olhada por dois lados, do lado da balança comercial, quanto menor melhor, do ponto de vista do PIB é também um sinal positivo, mas se tivermos em conta de (como disse antes) que um país em expansão tende a aumentar as suas importações, se um país tiver um nível muito baixo de importações pode ser sinal de falta de capital disponível/descida do poder de compra bem como descida dos consumos.

Os factores que mais influenciam o PIB, são o consumo e o investimento, (representou 15% PIB ano passado) sendo que estes podem anular o valor da balança comercial pelo maior peso que têm no PIB, que por exemplo em 2011 e 2012, teve valores de 4,7 e 3,9 pontos percentuais, respectivamente, mas acabaram por ser anulados pelo contributo negativo da procura interna, que registou uma descida de 6,3 e 7 pontos percentuais, respectivamente.

E não nos podemos esquecer que tudo isto está sobre o “chapéu” das medidas e estabilidade política quem têm influência directa em todos os factores apresentados. De modo geral um superávido da balança comercial é sempre positivo, mas ao contrário de alguma opinião, este não é a salvação da nossa economia, (devido ao seu peso) os grande motores, do nosso PIB são o investimento e o consumo que (no ano passado) representaram 84% do PIB, enquanto a balança comercial representou apenas 1,7%, sendo que nos dois casos da balança os bens superam claramente os serviços, as exportações não podem ser descuradas, resultam de investimento e a quedas das mesmas vela a um desacelerar do mesmo, consequentemente dos consumos e à queda do PIB de uma forma generalizada. A balança comercial tem um impacto indirecto, mais importante que o directo no PIB pois representa a penas 1,7%, mas por outro lado o seu desempenho afecta os maiores contribuidores do PIB. A balança em superávido assegura a escoação do investimento, continuação do mesmo, criação de empregos compra de material fixo, matérias-primas etc, o que gera consumos. O PIB e a balança interligam-se um afectam um outro, como “gémeos siameses” se um é deficitário, irá afectar o outro, por isso, devem ser olhados desse ponto de vista, não de forma isolada, e não como temos visto a exportação ser a salvação das terras lusas, a chave está no conjunto.

Autor: Saúl Paulo Devessone. Nascido a 29/01/1992 reside em Lisboa. Encontra-se no último ano da Licenciatura em Ciência Política no ISCTE-IUL.
E-mail:Davinson_192@hotmail.com