Dicas para poupar nos transportes

Hoje em dia, para muitas famílias, uma parte importante do orçamento mensal é dedicado aos transportes. E se os transportes, sejam eles privados ou públicos, são essenciais no dia-a-dia, não podendo evitar essa despesa, há várias formas de reduzir o dinheiro que gasta. Descubra de seguida várias dicas para poupar nos transportes.

4 Dicas para poupar nos transportes

– Utilize alternativas ao carro

A melhor forma de perceber que deixar o carro em casa muitas vezes é uma excelente opção, relativamente a outras, é fazendo contas. Por exemplo, um habitante do Montijo que trabalhe em Lisboa, na Praça dos Restauradores, gasta em média, ida e volta, contabilizando combustível e portagens da ponte Vasco da Gama, 10€. No final de um mês, em que se desloque diariamente de segunda a sexta-feira, a despesa será cerca de 220€. Se a este valor juntarmos estacionamento diário, o montante total pode chegar a 400€. Isto claro sem contar com as despesas de manutenção do veículo. Já se deixar o carro em casa e optar por transportes públicos, entre autocarro e carreira do rio Tejo, esse valor desce para cerca de 60€ por mês. Ou seja, mais de 300€ de poupança em cada mês, o que equivale a cerca de 3600€ por ano. Há ainda outras opções, como por exemplo a bicicleta, quando a distância até ao local do trabalho não é grande e o terreno não seja demasiado acidentado.

– Comparar o preço dos combustíveis

Hoje em dia é possível, num raio de apenas poucos quilómetros, encontrar preços bastante diferentes para o mesmo tipo de combustível. Por isso esteja atento e compare os preços antes de abastecer. Basta uma diferença de 0,03€ para poupar 1,20€ num depósito de 40 litros.

– Alugar

Há muitas vezes a ideia de que ter um carro próprio é muito mais vantajoso que alugar um carro. Aliás, esta última opção é vista como muitíssimo mais cara. Mas será mesmo assim? Vamos outra vez às contas. Se comprar um carro com um valor de 26 mil euros, com um seguro anual de 300€, com despesas de manutenção e pneus, irá gastar no mínimo em média 18€ por dia durante os cinco primeiros anos. Tendo em conta a desvalorização do carro, e contando que o vende passado esse tempo por cerca de 40% desse valor, o dinheiro gasto diariamente é aproximadamente 11€. Já se alugar um carro a longo prazo, com contratos de 2 a 4 anos, pode conseguir valores à volta dos 8 a 9€ por dia. No final de um ano, mesmo que a diferença seja de apenas 2€, estamos a falar de uma poupança de perto de 700€ anuais. E isto sem contabilizar despesas relacionadas com avarias de dimensão média ou superior.

– Viajar de avião

Viajar de avião está cada vez mais barato. Com o aparecimento das low cost, por vezes mesmo uma viagem Lisboa-Porto pode tornar-se muito mais económica se for de avião. É possível por exemplo, ir e voltar por menos de 25€, quando se fosse de carro, entre combustível e portagens, gastaria no mínimo 80€.

Conheça 11 dicas para poupar nos seguros

A solução para poupar nos seguros não passa necessariamente por eliminá-los da sua lista de despesas, mas sim por saber como cortar nos prémios que paga e no supérfluo.

As despesas com os seguros de vida, automóvel, saúde e casa fazem parte dos orçamentos de muitas famílias, mas se os seguros não forem adequados às suas necessidades podem representar um gasto muito maior àquele que deveria ter. Se alguns são obrigatórios por lei, como o seguro automóvel RC, outros são exigidos, por exemplo, aquando da compra de casa (seguro multirriscos habitação e seguro de vida).

Existe uma grande diversidade de oferta de seguros no mercado, pelo que é fundamental saber escolher o mais adequado às necessidades, para poupar no prémio de seguro a pagar.

Conheça 11 dicas para conseguir reduzir despesas com seguros:

Avalie as suas necessidades

Se vai contratar um seguro, a primeira coisa a fazer é avaliar as suas necessidades, ou seja, deve procurar saber concretamente qual o risco que pretende segurar. Por exemplo: o seguro de vida associado ao crédito à habitação – se o seu objetivo é apenas assegurar que a casa fique paga em caso de morte ou invalidez, pode ser mais vantajoso, você optar pela atualização do prémio do seguro ao capital em dívida. Isto porque o prémio vai reduzindo à medida que vai liquidando o crédito.

Faça pesquisas e simulações

Faça a prospeção do mercado, explorando toda a potencialidade da internet. Faça várias simulações, já que muitas seguradoras disponibilizam simuladores nos seus sites, e compare as diferentes propostas.

Evite a duplicação de coberturas

Ao não fazer uma avaliação prévia das necessidades e da sua carteira de seguros, inconscientemente, acaba por incorrer no risco de estar a contratar uma mesma cobertura em mais do que um seguro. Como as indemnizações não são cumulativas, pelo que estar a pagar duas vezes, torna-se um grande desperdício de dinheiro.

Contrate apenas o essencial

Não se deixe dominar pelo seu lado emocional, procure fazer uma escolha racional e saiba o que está a contratar. Deve contratar apenas as coberturas que identificou como necessárias.

Procure mediadores

Procurar um mediador de seguros também lhe pode ajudar a poupar dinheiro, pois geralmente, os mediadores conseguem preços mais competitivos em relação ao balcão. Além disso, podem proporcionar um atendimento personalizado, conseguindo adequar melhor o seguro às suas necessidades.

Low cost

Por norma, as companhias de seguros ‘online’ ou por ‘telefone’ conseguem apresentar preços mais baixos do que as seguradoras tradicionais, devido ao facto de terem menores custos. Se é daquelas pessoas que gosta de tratar de todo o processo sozinho, faça uma pesquisa por estas seguradoras.

Aproveite as promoções

Esteja atento e aproveite as campanhas de promoções das seguradoras. Em alguns casos, as poupanças face aos preços normais são consideráveis. Além disso, se é sócio de algum clube, ou tem algum cartão de descontos, verifique se há alguma parceria com seguradoras que lhe permite baixar o prémio do seguro.

Em pacote é mais barato

Num modo geral, as seguradoras oferecem descontos caso compre um pacote de produtos. Contratar o seguro de vida, carro, saúde, casa ou até viagens na mesma companhia pode ficar mais barato do que ter espalhado por várias seguradoras. Faça as contas e se compensar, consolide tudo na mesma companhia de seguros.

Fracionamento anual

Na maioria dos casos, escolher a opção do pagamento anual torna-se mais barato do que optar por um fracionamento semestral ou mensal. Sendo que as diferenças em termos de custo total dependem de seguradora para seguradora.

Opte por débito direto

Optar por débito direto pode ser outra forma de poupar nos seguros. Normalmente, as seguradoras oferecem condições favoráveis a quem opte por esta modalidade de pagamento.

Cartões de crédito com seguro

Muitos cartões de crédito apresentam benefícios associados à sua utilização, nomeadamente, a possibilidade de adquirir gratuitamente um seguro de viagem, caso pague a sua viagem através do cartão.

O que fazer para deixar de pensar no dinheiro aos 40

Nos primeiros anos de vida profissional a tentação é para aproveitar ao máximo os rendimentos do trabalho. E na realidade, quando se começa a trabalhar é natural e desejável que tenha um estilo de vida adequado aos seus rendimentos e que o motive para trabalhar ainda mais. Contudo, é igualmente importante começar a pensar no futuro, para que possa deixar de ter preocupações financeiras mais tarde. Saiba mais sobre o que fazer para deixar de pensar no dinheiro aos 40.

A poupança é fundamental

A poupança, quer se queira, quer não, é a forma mais fácil de chegar aos 40 sem precisar de ter grandes preocupações de dinheiro. A não ser que tenha muita sorte e ganhe algum prémio de lotaria, ou então, faça um investimento muito acertado, a verdade é que é preciso saber poupar para precaver o futuro.

Todos os dias irá aparecer tentações para gastar o seu dinheiro, seja um jantar fora ou numa peça de roupa de estação. Mesmo que seja muito poupado, é natural que de vez em quando caia na tentação. Como tal, a primeira dica é ser disciplinado com as suas poupanças. Uma estratégia que resulta na perfeição é fazer uma poupança mensal. E para que esta não falhe, deve vê-la como se fosse um gasto obrigatório. Assim, deve definir um montante que possa despender todos os meses, e colocá-lo de parte numa conta própria. Se for disciplinado, ao fim de 10 ou 20 anos, terá uma maquia bastante considerável, que lhe permitirá ficar mais desafogado aos 40.

7 dicas úteis para o manter disciplinado e conseguir poupar o máximo possível

– antes de comprar, analisar sempre se realmente precisa desse produto ou serviço;
– apenas aproveitar promoções de produtos que já iria levar à partida;
– analise sempre as suas emoções, e procure perceber se está a fazer uma compra inteligente ou simplesmente uma compra emocional;
– defina metas anuais, como por exemplo umas férias ou algo que você ou a sua família queiram muito, pois ajudará a manter-se disciplinado em relação ao seu dinheiro;
– apontar todos os gastos mensais, de modo a ter uma maior perceção do que gasta e um controlo maior sobre as despesas da sua casa;
– adotar medidas de poupança de eletricidade e água em casa, que muitas vezes são suficientes para poupar muito dinheiro até ao fim de um ano;
– especialmente em compras com alguma dimensão, nunca deve comprar no momento, esperar sempre 24 horas até realmente tomar a decisão final.

Como certamente já percebeu, o segredo para não ter que pensar no dinheiro nos 40 é saber poupar. No processo de poupança a disciplina é fundamental, simplesmente não pode gastar mais do que ganha, se acha que não está a obter rendimentos suficientes para poder poupar, então está na altura de analisar bem as suas despesas, haverá algum desperdício? Experimente colocar no início de mês a poupança parte e emagreça o orçamento mensal.

Está disposto a trabalhar mais? Procure um part-time, há cada vez mais oportunidades de trabalho complementares ao emprego habitual seja numa empresa ou como freelancer, que pode aproveitar para aumentar os seus rendimentos, e assim, aumentar as suas poupanças para o futuro.

Siga as nossas dicas de como fazer para deixar de pensar no dinheiro aos 40, e comece a preparar o seu futuro.

7 ideias para começar o seu negócio com poucos custos

Atualmente, a dificuldade na obtenção de crédito bancário para financiar negócios, é um forte entrave para a sua ideia de negócio, mesmo que seja viável e inovadora. No entanto, consoante a natureza do projeto, é possível criar um negócio com poucos custos e obter bons resultados. Muitos empreendedores não percebem que existem muitas formas criativas de começar um projeto sem o pesado fardo de um empréstimo.

Iniciar o seu negócio em casa é a opção mais acertada, assim não tem qualquer risco associado e pode fazê-lo a tempo parcial ou mesmo a tempo inteiro. Por ser em casa tem as suas vantagens, desde logo, não necessita de pagar a renda do espaço (trata-se de um dos maiores custos de uma empresa). Você poderá poupar também em combustível, porque não irá necessitar de se deslocar para o seu local de trabalho. Ajuda ainda reduzir os custos operacionais. Isso é essencial para a lucratividade e sucesso do seu negócio a longo prazo.

Para escolher a melhor oportunidade de negócio, para aprender e ter sucesso a começar um negócio com poucos custos, implica algumas pesquisas. A ideia do seu negócio tem que ser uma solução pretendida pelos clientes para um problema concreto, e esse problema tem que despoletar um conjunto suficiente de pessoas a estarem dispostas a pagar pela solução.

Existem várias formas de descobrir uma ideia para a sua oportunidade de negócio. Pode começar por identificar problemas que você próprio gostaria de ver resolvidos, pode perguntar a outras pessoas quais os problemas mais importantes que enfrentam ou pode analisar o que já foi feito de inovador e com sucesso noutros países.

Faça a sua pesquisa de mercado e analise potenciais ideias de negócio que não envolvam grandes gastos. Conheça abaixo algumas ideias de negócio que implicam poucos ou nenhuns gastos:

1 – Vendas online
Adquira artigos em promoções, lojas em liquidação, ou em segunda mão e coloque-os à venda em sites de leilões, ou então, numa loja online própria. A alternativa é uma loja online com Drop Shipping, isso permite-lhe vender artigos sem ter stock físico.

Crie uma loja online sem precisar de nenhum conhecimento técnico com a Webnode.

2 – Construção de Sites
Se tem conhecimento na área, crie sites e rentabilize os mesmos com publicidade. Existem vários serviços que pagam por clique e que lhe geram um rendimento interessante todos os meses. Pode também construir sites para terceiros, cobrando pela construção e serviços de manutenção posteriores.

Para quem não tem conhecimentos pode recorrer a Webnode.

Se deseja mais autonomia recomendamos wordpress.org e  pode alojar/hospedar um ou vários sites na Bluehost.

3 – Tradução
Domina fluentemente algum idioma estrangeiro? Então, pode oferecer-se para prestar serviços de tradução/intérprete às empresas. Atualmente existem muitas empresas e de diversos setores de negócio a precisar de colaboradores para traduzir ou fazer revisão de textos e para acompanhar os seus clientes.

O site Freelancer pode ser um bom começo para angariar clientes.

4 – Venda de comida para fora
Se gosta de cozinhar, pode começar por confecionar jantares e entregar os seus serviços às pessoas que não têm tempo para cozinhar. Para impulsionar o seu negócio, vá até as grandes empresas na hora de almoço e ofereça pequenas amostras da sua comida, juntamente com os seus cartões. Se gostarem da sua comida, o seu negócio vai crescer num instante.

Pode fazer cartões de visita em qualquer loja de impressão na sua zona ou fazer um pedido online numa loja como 360Imprimir.

5 – Negócios relacionados com aniversários
Se gosta de trabalhos manuais, pode fazer presentes de aniversário personalizados. Fazer bolos e salgados caseiros, indicado para quem gosta de cozinhar. Para quem gosta de lidar e tomar conta de crianças pode entrar num negócio com imenso potencial e baixo investimento, aluguer de insufláveis.

As redes sociais podem ser um bom auxiliar na promoção dos seus produtos, crie uma página no Facebook e um perfil no Instagram

6 – Serviços de limpezas domésticas
Basta apenas um balde, uma esfregona, uns panos e com muito trabalho e sentido de responsabilidade, para iniciar o seu negócio em limpezas domésticas.

Pode anunciar o seu serviço de limpezas no Zaask

7 – Cuidar de animais domésticos
Muitas pessoas não têm tempo necessário para cuidar dos seus animais, dar-lhes banho, cortar-lhes as unhas e até passear com eles. Para promover o seu negócio, deixe os seus cartões de negócio em clínicas veterinárias e explique que vai às casas dos clientes para cuidar dos seus animais domésticos.

Para quem gosta de conviver com os animais será obviamente um negócio muito interessante. Todas as dicas para os negócios anteriores aplicam-se aqui também, um bom site de apresentação e um cartão de visita apelativo são obviamente bons instrumentos para ganhar a concorrência.

Agora que já conhece algumas ideias de negócio com poucos custos, faça dos seus sonhos de ter um pequeno negócio uma realidade. Você pode aprender a criar um negócio com pouquíssimo dinheiro pela redução de custos e despesas operacionais. Use a Internet para divulgar os seus serviços ou artigos, pois atualmente uma boa parte da população está confortável em fazer compras e a adquirir serviços online.

5 Razões para sair do seu trabalho a tempo e horas

Existe muitas vezes a ideia de que o trabalhador mais dedicado e produtivo é aquele que fica para lá do seu horário normal de trabalho. Contudo, apesar de em muitas empresas continuar a imperar essa mentalidade, na realidade os estudos mostram exatamente o contrário. O direito a um horário de trabalho definido é uma vantagem não só para o trabalhador, mas também, para o próprio empregador. Conheça de seguida 5 razões para sair do seu trabalho todos os dias a tempo e horas.

As 5 principais razões para sair do trabalho todos os dias a tempo e horas

– Definição de prioridades

Quando não existe um horário de trabalho bem definido é mais fácil cair em distrações. Assim, o facto de ter de respeitar um horário de trabalho obriga o trabalhador a priorizar, tornando o seu trabalho muito mais eficiente. É assim uma vantagem para o trabalhador, mas também para o empregador.

– Aumento da produtividade

Este é um pronto muito importante, especialmente do ponto de vista do empregador. Na realidade, muitos empregadores caem no erro de considerar que o tempo de trabalho é o único fator associado à produtividade. Muitos estudos mostram que um trabalhador devidamente motivado é muito mais produtivo. Assim, ao permitir ao trabalhador ter a sua vida mais organizada, com horários de saída bem definidos, e ao mesmo tempo, estimulando uma maior eficiência durante o período em que se encontra no local de trabalho, conseguirá mantê-lo mais focado, concentrado e produtivo.

– Organização

Um trabalhador que consegue cumprir o seu horário de trabalho, tanto na entrada como na saída, cumprindo pelo meio todas as tarefas necessárias, mostra competência e organização. Além disso, o facto de sair do trabalho a tempo e horas com o trabalho realizado mostra também grande disciplina e eficácia. E ao consegui-lo fazer, conseguirá também organizar muito mais facilmente a vida fora do horário de trabalho, seja familiar ou de tempo pessoal.

– Maior descanso

Ao ter um horário de entrada e saída bem definido, o trabalhador terá tempo para si, para a família, para o lazer e para o descanso. O trabalho em excesso, pelo contrário, terá a médio prazo um efeito contraproducente, levando ao esgotamento do trabalhador, e assim, à redução da sua produtividade.

– Mais tempo para o desenvolvimento pessoal

No mundo actual, cada vez mais existe a necessidade de investir não só em habilidades técnicas, mas também em capacidades sociais. Com um horário mais definido, com uma rotina mais organizada e com tempo para a vida pessoal, também o trabalhador terá mais disponibilidade mental para investir em si próprio e nas suas capacidades interpessoais.

Em jeito de resumo, percebem-se facilmente as razões pelas quais deve começar a fazer um esforço para cumprir o seu horário de trabalho e sair a tempo e horas. Se o fizer, conseguirá ter mais tempo disponível para si e para a sua família, e ao mesmo tempo, ser mais produtivo e sentir-se bem no seu local de trabalho.

Acidente de trabalho – Tudo o que precisa de saber

Ninguém quer ter um acidente de trabalho. Mas se ele ocorrer, é importante conhecer a lei de modo a usufruir da sua proteção. Neste artigo poderá conhecer todas as informações sobre os acidentes de trabalho, nomeadamente o que são, os vários tipos, o que deve fazer, e ainda, a indemnização a que tem direito. Saiba mais.

Acidente de trabalho – definição legal

De acordo com o artigo 8º da Lei nº 98/2009, que regulamenta o regime de reparação de acidentes de trabalho e de doenças profissionais, um acidente de trabalho é todo aquele que ocorra no local de trabalho, durante o seu horário, e que daí resulte, direta ou indiretamente, algum tipo de dano corporal, perturbação funcional ou doença que provoque a redução da capacidade de trabalho ou até mesmo a morte.

Tipos de acidente de trabalho

Existem várias tipologias de acidentes de trabalho, estando estas definidas por lei. Assim, consideram-se acidentes de trabalho aquelas que ocorrem:

A – No percurso utilizado habitualmente, durante o período de ida e regresso entre:

1 – a residência e o local de trabalho;
2 – um dos locais do ponto 1 e o local onde irá receber tratamento médico resultante de um acidente de trabalho ou o local de pagamento do ordenado;
3 – o local de trabalho e o local de refeição;
4 – o local onde o local de trabalho habitual e o local onde o trabalhador presta algum tipo de serviço relacionado com o seu trabalho.

B – No local onde se faz o pagamento do ordenado.

C – Fora do horário e/ou local de trabalho, caso esteja a executar serviços acordados ou determinados pela entidade patronal.

D – Durante a procura de emprego, caso seja um trabalhador inserido num processo de dissolução de contrato de trabalho em curso.

E – No local de trabalho, durante o direito de atividade de representação e/ou reunião de trabalhadores, nos termos da lei.

F – Durante a prestação de serviços voluntários dos quais possam dar origem a benefícios económicos para a entidade laboral.

G – Quando em frequência de formação profissional dentro do local de trabalho, ou fora dele quando exista autorização expressa da entidade empregadora para essa frequência.

H – Durante a execução de serviços fora do local ou horário de trabalho, quando consentidos ou determinados pela entidade empregadora.

Comunicação do acidente de trabalho

Em caso de acidente grave ou mortal, este deve ser comunicado num prazo de 24 horas pelo empregador ao ACT. No caso do acidente ser na área da construção civil, caso o empregador não cumpra essa obrigação, a responsabilidade passa para a entidade executante. Caso esta falhe na comunicação, a responsabilidade é transmitida para o dono da obra que tem 24 horas após o primeiro prazo para fazer a comunicação.

Indemnização por acidente de trabalho

Para se poder calcular o valor da indemnização por acidente de trabalho, é antes necessário definir o tipo de incapacidade que daí resultou, para de seguida aplicar a fórmula correta. Os dois tipos de incapacidade que podem resultar de um acidente de trabalho são incapacidade temporária ou permanente.

– Fórmula de cálculo de indemnização por incapacidade temporária

a) incapacidade temporária absoluta: durante os primeiros 12 meses, indemnização diária igual a 70% da remuneração, e após esse período, 75%.
b) incapacidade temporária parcial: indemnização diária igual a 70% da redução real da sua capacidade de ganho.

– Fórmula de cálculo de indemnização por incapacidade permanente

a) incapacidade permanente absoluta: pensão anual e vitalícia de valor igual a 80% da remuneração. Caso mantenha alguma capacidade funcional para outro trabalho, a pensão terá o valor de 50% a 70%.
b) incapacidade permanente parcial: pensão anual e vitalícia de valor igual a 70% da perda real da capacidade de remuneração.

SOFT SKILLS – Impulsione a carreira com ajuda destas 6 soft skills

Já lá vai o tempo em que as empresas valorizavam apenas as competências técnicas dos seus profissionais. Hoje em dia a realidade é outra. Com a evolução do mercado de trabalho, essas competências já não são suficientes para se ser considerado um ativo importante da empresa. Além das necessárias competências técnicas, são ainda valorizadas as chamadas soft skills. De uma forma simples, estas são atitudes e comportamentos que ajudam a facilitar a interação humana e a melhorar o desempenho profissional. Conheça de seguida 6 soft skills que irão ajudar a impulsionar a sua carreira.

1 – Perseverança

Esta é uma das soft skills mais apreciadas em contexto profissional. A capacidade de focar-se nas soluções e não nos problemas perante um obstáculo é essencial para ultrapassar as adversidades e alcançar um determinado objetivo. Assim, um profissional perseverante conseguirá manter-se focado em descobrir uma solução sem nunca perder a motivação.

2 – Atitude positiva

Hoje em dia dá-se cada vez mais valor aos profissionais que encaram cada dia com uma atitude positiva, com alegria, entusiasmo e energia, não só porque são mais produtivos no seu trabalho, mas também porque podem contagiar essa boa atitude a outros colegas.

3 – Pensar “outside the box”

Esta expressão inglesa significa simplesmente pensar de uma forma mais criativa. Tendo em conta a complexidade dos problemas que surgem atualmente em contexto laboral, ter a capacidade de pensar em soluções criativas e eficazes que resolvam um problema e colocá-las em prática é algo muito valorizado pelas empresas.

4 – Trabalhar em equipa

O trabalho colaborativo é uma competência muito procurada pelas empresas. O trabalho em equipa traz inúmeros benefícios para a produtividade. Como tal, hoje em dia são cada vez mais procurados profissionais que tenham facilidade em trabalhar em equipa, em detrimento de pessoas que tenham dificuldade em colaborar e ajudar os colegas. Essa colaboração e entreajuda são essenciais para se atingir os objetivos globais da empresa.

5 – Saber gerir o tempo

A gestão do tempo é hoje em dia uma competência essencial para se conseguir produzir mais no mesmo período de tempo. Conseguir organizar o trabalho através da definição de objetivos, prioridades e prazos, é algo que as empresas valorizam bastante.

6 – Saber comunicar

Saber comunicar com facilidade é uma competência muito procurada pelas empresas. Esta soft skill permite, por exemplo, estabelecer boas relações com as pessoas que o rodeiam, saber fazer contactos com facilidade, ou ainda, ter a capacidade de influenciar positivamente as pessoas relativamente a um produto, projeto ou serviço.

Desenvolva soft skills e atinja o seu potencial profissional

Há ainda mais algumas soft skills valorizadas pelo mercado de trabalho tal como a capacidade de aprendizagem, saber resolver conflitos, conseguir adaptar-se facilmente a novas situações, entre outras. Se depois deste artigo perceber que não possui algumas destas soft skills, seria importante começar já a desenvolver as competências em falta. Tendo em conta a crescente valorização das soft skills pelo mercado de trabalho, elas são essenciais para alcançar todo o seu potencial profissional.

O LEGADO DA PRESIDÊNCIA DE BARACK OBAMA

“Prometo-vos que chegaremos lá”, proclamou em Chicago um ainda jovem Barack Obama na noite em que no final de 2008 se tornou o primeiro afro-americano eleito Presidente dos Estados Unidos. Perante 250 mil pessoas, unidas pela esperança e comoção, o “lá” que Obama prometia era uma América melhor e mais forte. Oito anos volvidos, é tempo de traçar balanços da sua governação. Resta, portanto, a pergunta inevitável: Que herança, afinal, deixa Barack Obama?

Quando Obama assumiu funções – em plena crise da dívida hipotecária (“crise dos subprimes”) -, os EUA encaminhavam-se para uma segunda “Grande Depressão”. Caiu-lhe nas mãos os trapos de um país cujo mercado imobiliário se encontrava em implosão e o mesmo estava para acontecer à indústria automóvel.

Perante este complicado cenário, Obama tirou proveito de um congresso de maioria democrata – o seu pacote de estímulo económico é aprovado sem um único voto republicano – e lança um gigantesco programa de investimento denominado de “American Recovery and Reinvestment Act”, no valor de 831 mil milhões de dólares em sectores vitais como bancos, transportes (permitiu a salvação da General Motors), infra-estruturas e outras áreas públicas. Esses resgates funcionaram: a General Motors e a AIG voltaram aos lucros e o Dow Jones disparou até aos 140%. A economia, apesar de titubear nos primeiros quatro anos, conseguiu aguentar-se e, mais tarde, despertou. Há ainda o reforço legislativo das regras aplicadas à indústria de Wall Street (“Dodd-Frank Wall Street Reform and Consumer Protection Act”) apesar de, em termos práticos, não ter tido grande sucesso.

Após dois mandatos de administração Obama, a análise do crescimento económico americano é clara: situa-se pelos 3%, foram criados 11 milhões de postos de trabalho, o emprego cresce há 75 meses consecutivos, o mercado imobiliário recuperou 23% nos preços, a taxa de desemprego recuou de níveis recorde na casa dos 8% para cerca de 4,6% e, em 2016, os rendimentos aumentaram para todos os segmentos de trabalhadores. Assim, Obama despede-se de Washington com o défice reduzido para menos de um terço do que recebeu, nos 2,8% do PIB. Contudo, o rácio da população activa é dos mais baixos em décadas, o poder de compra não aumentou e muitos dos empregos criados são mal pagos, o que fez aumentar o fosso que separa os 1% muito ricos dos restantes 99%.

A par da economia, Obama avança rapidamente para a sua principal iniciativa no plano interno, uma reforma do sistema de saúde americano conhecida como “Obamacare” (“Patient Protection and Affordable Care Act”). Tal garantiu o acesso a seguros de saúde a 20 milhões de americanos num país onde cerca de metade da população não tem acesso fácil a um sistema de saúde, quase generalizadamente custeado e controlado por seguradoras privadas. Não é o modelo de sistema público de segurança social que existe nas outras economias avançadas e que Obama desejou, mas alterou profundamente a forma como a saúde é encarada nos Estados Unidos. As seguradoras já não podem recusar cobertura com base em doenças passadas; começaram a existir planos de saúde subsidiados. Todavia, pelo meio, o processo estagnou, tornou-se burocrático e complexo. O resultado do programa está longe do idealizado inicialmente mas, ainda assim, a situação hoje é bem melhor para os mais desprotegidos.

Obama inaugurou, também, uma nova era nos EUA em relação às alterações climáticas. A “revolução de energia limpa” (“American Clean Energy and Security Act”) permitiu elaborar padrões federais para eliminar as fontes mais poluidoras, como as centrais térmicas mais antigas e modernizar a produção eléctrica, sob o controlo da EPA (“Environmental Protection Agency”), a quem foram atribuídos extensos poderes.

No aspecto social, a promoção dos direitos de identidade dos GLT (gays, lésbicas e transexuais) permitiu melhorar substancialmente as suas vidas. No que toca a políticas de igualdade, a administração Obama aprovou, também, legislação para fomentar a equidade de salários entre homens e mulheres com funções equivalentes.
Olhando para o plano internacional, a avaliação feita à acção presidencial de Barack Obama é globalmente favorável – embora nada consensual – num mundo em que a América já não é uma superpotência hegemónica e o mundo se norteia por um novo policentrismo.

Em 2011, ocorreu aquele que terá sido o momento de glória da sua presidência: a morte de Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda e cabecilha dos atentados do 11 de Setembro de 2001. Uma vitória para o presidente, para as tropas americanas e as chefias militares. Mas, este acontecimento fortemente simbólico não contribuiu em nada para diminuir a instabilidade e o terrorismo. Adicionalmente, conseguiu um importante acordo nuclear com o Irão e reatou as relações diplomáticas com Cuba. Mas, contra o que prometera, não fechou a base de Guantánamo, em Cuba. Paralelamente, as relações com a Rússia começaram bem, mas os ‘dossiers’ Crimeia e Síria azedaram o tom e terminaram num ponto baixo, com expulsões de diplomatas russos.

Ainda no espectro internacional, de realçar igualmente a retirada das tropas americanas do Iraque – em 2011 e o início da retirada do Afeganistão, em 2013. Porém deixou com isso um vazio no Médio Oriente que permitiu florescimento do ISIS/DAESH. Porém, a acção americana na Síria foi, de facto, o maior fracasso. A Síria é, desde 2011, um barril de pólvora. Apoiados na política não intervencionista perpetrada por Obama, os Estados Unidos reagiram tardia e ambiguamente, em doses demasiado pequenas. Esta hesitação levou a Rússia a assumir o protagonismo no terreno de guerra ao lado de Bashar al-Assad. Por sua vez, Obama prometeu bombardear o regime sírio caso este usasse armas químicas contra a sua própria população e quando isso aconteceu o presidente americano contentou-se com a eliminação do arsenal químico de Assad. Com isso Washington perdeu credibilidade interna e externamente. Hoje, o ditador sírio está por cima no conflito e parece seguro no seu lugar ao invés que o poder americano está enfraquecido.

À imagem de qualquer estadista, o legado de Obama não é isento de erros nem imune a críticas. Desde logo porque a sua retórica messiânica criou expectativas demasiado elevadas. Evidentemente, seria impossível que todas elas se concretizassem. Dir-se-á que onde as esperanças mais se concentravam foi onde ele menos brilhou. Um dos exemplos notórios da desilusão instalada é a sonhada e prometida “América pós-racial”. Ao contrário do esperado, a violência e tensões raciais não diminuíram, antes pelo contrário. A reforçar esta ideia está o aparecimento do movimento “Black Lives Matter” e os confrontos entre comunidades negras e forças policiais que mancharam o segundo mandato. A questão racial permanece uma “força potente e muitas vezes divisiva”.

Além deste fracasso assumido pelo próprio, Obama não escondeu o desalento pela incapacidade demonstrada em contrariar o lobby pro-gun e de aprovar legislação mais restritiva sobre o uso e porte de armas. O tiroteio de Sandy Hook, em 2012, é para Obama o momento mais negativo dos oito anos de presidência.

Quando Obama tomou posse como 44.º Presidente dos Estados Unidos, reinava a esperança numa América e num mundo melhores. Agora que toma posse Donald Trump, é o medo do abismo e a incerteza que imperam. Obama sai de cena com nota alta, como revela a sondagem do Washington Post e da ABC que o incluem num restrito lote de Presidentes entre Roosevelt, Reagan e Bill Clinton que cessam funções com 60% ou mais de aprovação. E como um político inspirador e bem-intencionado que tentou derrubar muros tais como as tensões raciais, desigualdade, preconceitos, mas que, porém, se deparou com uma oposição acicatada por parte dos Republicanos. Boa parte deste legado está agora ameaçado pela chegada de Trump ao poder. Se este for um fracasso, Obama pode ficar na história como o Presidente que se afastou dos eleitores e abriu caminho ao populismo. Caso Trump consiga ter êxito, e se as políticas de Obama forem definitivamente enterradas, terá sido apenas o primeiro Presidente negro da história dos EUA. Pouco, muito pouco aliás.

Em suma, apesar do indiscutível sucesso de Obama no combate à maior crise económico-financeira desde os anos 30 do século passado, objectivamente foi no seu mandato que se desenvolveram condições económico-sociais que permitiram que um Trump fosse eleito. Deixou para o seu sucessor as pontas soltas das suas reformas e não investiu numa plataforma política democrata que assegure a sobrevivência do seu legado. Obama arrisca-se, então, a que essa seja a principal mancha e o fim do seu legado.

Autor: André Ratinho Pereira. Natural de Lisboa, onde reside, nasceu a 16/07/1993. É licenciado em Ciência Política pelo ISCTE-IUL. É mestre em Economia Monetária e Financeira no ISCTE Business School.
E-mail: andreratinhopereira@gmail.com

Conheça 10 profissões para quem gosta de trabalhar sozinho

Se há muitas pessoas que adoram o convívio com os colegas de trabalho e sentem-se melhor a trabalhar em equipa, já outras preferem ter pouco contacto com outras pessoas. As razões são várias, desde ser uma pessoa mais solitária, querer um ambiente mais concentrado, até preferir fazer as coisas à sua maneira, sem distrações ou intervenções de outros. Conheça de seguida 10 profissões para quem gosta de trabalhar sozinho.

Profissões para quem gosta de trabalhar sozinhos

Os seguintes exemplos abrangem áreas muito diversas, que incluem profissões com variados níveis de qualificação.

Motorista

Um motorista, seja de táxi, de camiões ou de transportes públicos, passa muito tempo sozinho durante as suas viagens. Os camionista então, passam todo o tempo sozinhos, tendo como única companhia o rádio.

Investigador

Em qualquer área de investigação, o trabalho em isolamento, além de ser uma realidade, é uma necessidade. Seja na pesquisa de informação, seja na análise científica, seja no trabalho prático em laboratório, a investigação é uma área que requer muito trabalho solitário.

Tradutor

Uma das profissões que pode ser feita a partir de casa é a de tradutor. Dessa forma, o tradutor pode trabalhar num ambiente calmo e sem ninguém em seu redor, tendo apenas de cumprir as especificações requisitadas e o prazo definido.

Programador

Um programador tem a função de criar programas informáticos. Como tal, boa parte do seu trabalho é em frente a um computador. Mesmo que esteja rodeado de outras pessoas, o trabalho acaba por ser bastante focado sem grandes interações com os colegas. É também um trabalho que é cada vez mais feito a partir de casa, aí sim, completamente sozinho.

Escritor

De uma forma geral, os escritores necessitam de trabalhar sozinhos de modo a libertarem o seu espírito criativo. Além disso, a concentração conseguida nesses momentos de solidão é essencial para organizar e estruturar a história.

Designer gráfico

Os designers são profissionais que ocupam a maior parte do seu tempo em trabalho individual. É também uma profissão onde ser freelancer é cada vez mais habitual, trabalhando a partir de casa.

Consultor

Um consultor é um profissional especializado numa determinada área que realiza consultoria a outras empresas, fazendo recomendações e ajudando a resolver determinadas situações. É por isso um profissional que geralmente trabalha sozinho.

Segurança

Considerado por muitos uma das profissões mais aborrecidas do mundo, é no entanto perfeito para todos aqueles que pretendem um trabalho sem grandes interações humanas.

Auditor

Tendo em conta a quantidade de dados que um auditor necessita de recolher e analisar, esta profissão exige um trabalho de grande concentração. Como tal, esta é uma profissão onde o isolamento é essencial.

Analista

Um analista tem como função analisar orçamentos ou riscos. Como tal, para o conseguir fazer de uma forma eficaz e eficiente necessita de avaliar um grande conjunto de dados e variáveis. É assim uma profissão que requer que o profissional passe muito tempo sozinho, em sossego e completamente concentrado.

Se gosta de trabalhar sozinho tem aqui 10 sugestões que pode abraçar para a sua vida profissional.

JUROS DA DÍVIDA PORTUGUESA ULTRAPASSARAM A FASQUIA DOS 4%. E AGORA?

Nos últimos dias registou-se uma subida das taxas nos títulos de dívidas dos países periféricos, essencialmente causada pela recente subida da taxa de inflação na Zona Euro (ZE) (de 0,6% em Novembro para 1,1% em Dezembro). Consequentemente, aumentou a pressão sobre o Banco Central Europeu (BCE) para recuar na sua política de juros extremamente baixos.

Na mesma linha geral, os investidores denotam uma especial preocupação com a decisão do BCE. Este decidiu prolongar até, pelo menos, Dezembro deste ano – quando a estimativa apontava para que terminasse em Março – o prazo do seu programa de activos e obrigações conhecido como Quantitative Easing (QE). Ao mesmo tempo reduziu o volume de compras mensais (a partir de Abril, o montante total das compras descerá de 80 mil milhões de euros para 60 mil milhões) e manteve inalteradas as regras que limitam a 33% o valor das aquisições de dívida por país emitente ou por série de obrigações emitida. Em novembro de 2015, a mesma autoridade monetária já tinha sido forçada a rever em alta esse limite, dos iniciais 25% para os actuais 33%, como já exposto anteriormente.

A extensão do QE implicará uma nova injecção, por parte do BCE, de valores em torno dos 540 mil milhões de euros, numa altura em que, por um lado, a eleição de Donald Trump nos EUA cria demasiadas incógnitas sobre a evolução da economia mundial e, por outro, a Reserva Federal dos Estados Unidos (FED) se prepara para subir as taxas de juro. A autoridade liderada por Janet Yellen anunciou em Dezembro uma subida do preço do dinheiro nos EUA para um intervalo entre 0,50% e 0,75% significando portanto um aumento de 25 pontos base. Enquanto essa subida era já antecipada pelos investidores, uma nova previsão de três aumentos para 2017, face à anterior expectativa de apenas dois, surpreendeu os analistas. O aumento da inflação, que deverá resultar das medidas expansionistas de crescimento económico de Trump, poderá forçar a FED a acelerar o ritmo dos aumentos de taxas de juro neste corrente ano. Esta orientação está a pressionar o Euro (que desceu para mínimos de quase 14 anos) uma vez que o diferencial de juros dos dois lados do Atlântico deverá aumentar – actualmente, a taxa de juro na ZE encontra-se no mínimo histórico de 0%, não se perspectivando alterações nos próximos tempos. Assim, existe uma notória divergência na política monetária entre a Europa e os EUA, onde se verifica uma subida dos juros por parte da FED e o BCE a manter a sua posição de política fortemente acomodatícia.

Relativamente a Portugal, o programa do BCE tem ajudado a manter os juros da dívida nos prazos mais longos nuns aceitáveis 3%. Contudo, as regras desenhadas por Frankfurt referentes aos tais 33%, fazem com que esse tecto esteja já muito perto de ser atingido no caso do nosso país e, como tal, é cada vez mais difícil para o BCE encontrar activos elegíveis. Este é um motivo para pensar que se irá continuar a registar uma redução das compras de dívida portuguesa pelo BCE neste ano de 2017, ano em que o IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública) se prepara para emitir 16 mil milhões de euros de dívida de médio e longo prazo. A título de exemplo, entre Abril e Junho de 2016, por exemplo, o BCE adquiriu mais de 1.400 milhões de euros por mês enquanto que no mês de Outubro e Novembro “apenas” comprou 1.022 milhões de euros de obrigações nacionais, o que revela um decréscimo notório.

Ainda de acordo com o anunciado na última reunião, o BCE passa a incluir no programa as obrigações com maturidade de um ano, ao invés dos atuais dois anos, e deixa cair a regra de não comprar dívida abaixo do valor da taxa dos depósitos (-0,40%), o que apenas beneficia os países do centro da Europa que vendem títulos a juros negativos. Por fim, outra das regras do programa do BCE é que o ritmo das compras deve ser proporcional à participação de cada banco central nacional no capital social da autoridade monetária, a chamada «chave de capital». Deixar cair essa limitação daria flexibilidade ao BCE para gerir de uma forma mais sustentável o programa de compra de activos. No entanto, afigura-se difícil a obtenção de um consenso no Conselho de Governadores do BCE.

Perante este cenário, os mercados e os investidores continuam extremamente pessimistas antevendo fragilidades na economia portuguesa e no seu sector financeiro devido à percepção generalizada de que o país depende fortemente das compras da dívida pública efectuadas pelo BCE. Como resultado, os juros da dívida nacional a 10 anos dispararam recentemente (Janeiro deste ano) de 3,5% para uma taxa a rondar os 4,2% (e que resultou numa emissão de 3 mil milhões de euros), ou seja, o valor mais alto desde fevereiro de 2014 quando a troika ainda se encontrava em Portugal. Em contraste, a dívida espanhola a 10 anos está com juros de 1,5% e a italiana com taxas inferiores a 2%. Tais valores são, apenas, os juros que os investidores exigem, uns aos outros, para comprar dívida pública. Contudo, são um indicador de quanto Portugal teria de pagar para se financiar caso decidisse ir ao mercado (e terá que o fazer como já verificado acima). Por outro lado, esta taxa de 4,2% no prazo a 10 anos supera o nível que a agência de rating canadiana DBRS – a que tem permitido a Portugal continuar a beneficiar do suporte da autoridade monetária de Frankfurt através da aquisição de dívida pública – considerou que seria o limite do qual deixaria de se sentir confortável com a notação atribuída à dívida portuguesa. De recordar que todos os ratings das outras agências financeiras (Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s) consideram Portugal em nível de “lixo” (Ba1 para a primeira e BB+ para as duas últimas).

Entretanto, Draghi afirmou que o Banco Central se encontra comprometido em suportar o nível muito substancial de política monetária expansionista tendo como target a estabilidade de preços e, caso seja necessário, o mesmo poderá ser reforçado ou mesmo prolongado nos termos de decisão do Conselho de Governadores dos bancos centrais dos dezanove países que constituem a área do euro.
No entanto, será uma inevitabilidade até que os governos dos países da ZE sejam chamados a substituir, com as suas políticas orçamentais, os estímulos do BCE que, na era do dinheiro “superbarato”, conduziram a uma descida dos juros nos problemáticos países periféricos, entre os quais se insere Portugal. As consequências disso são incertas, mas certamente serão bastante negativas para o nosso país.

Autor: André Ratinho Pereira. Natural de Lisboa, onde reside, nasceu a 16/07/1993. É licenciado em Ciência Política pelo ISCTE-IUL. É mestre em Economia Monetária e Financeira no ISCTE Business School.
E-mail: andreratinhopereira@gmail.com