A guerra da apetecibilidade existe

E nem é preciso procurar muito para ver isso, basta olhar para o lado. Não, nem é preciso olhar para o lado, olha mesmo para a frente. Esse monitor com que estás a ler este texto teve de evoluir anos para chegar a esse grau tecnológico, e chamou-te à atenção. As curvas e contra-curvas sexys, o seu brilho, as suas funcionalidades.

Porquê evoluir? Todos sabemos a resposta, o grande investimento em Investigação & Desenvolvimento que as empresas fazem não é em vão, nem nunca será. Haverá sempre um retorno para a companhia, quer a nivel interno (redução dos custos de produção), quer a nível externo, num grau visivel para o consumidor. Isso é fundamental – a visibilidade para o consumidor, e nem é preciso que o consumidor se apreceba, aliás, é ainda melhor que o consumidor não se apreceba. Por exemplo, na industria de retalho bem sabemos que nada é em vão. Os sítios onde se encontram as categorias dos produtos, que nos faz andar num determinado percurso, não é em vão. O módulo onde se encontra esse produto não é em vão. Até as prateleiras estão organizadas em produtos de elevada rotação (nível das mãos), das grandes margens (nível dos olhos), e finalmente os bens de grande dimensão e aqueles que termos sempre de comprar (em baixo).

São várias as técnicas de marketing, que nos faz comprar os bens essenciais, de impulso e de conveniência, cada um com o seu método psicológico. Somos enganados? Não, no fundo todos sabemos disso, porque até gostamos disso. Quando saímos do supermercado ficamos pior com o IVA dos produtos que pagamos do que com os métodos do supermercado que nos fizeram adquirir esses produtos.

Mas no mundo onde vivemos, já não podemos comprar os produtos que satisfaçam a base da pirâmide de Maslow. Queremos mais. Temos direito a mais! E esse “mais” está disponível com um simples gesto de meter no cesto aquelas bolachas de chocolate que até estão em promoção com aqueles preços grandes a saltarem para os olhos. A tentação é muito grande. Que se lixe a dieta, a promoção não estará todo o tempo disponível. E assim já terá acompanhamento e a libertação de endorfinas naquelas noites em que és só tu, o sofá e a TV. Snap: “monstro das bolachas com as kardashians”, deslizas o dedo no ecrã para mostrar as horas e pronto. Já podes mostrar à sociedade o descanso merecido. Ficas contente, e o supermercado também, porque embora tenha de reduzir um pouco a sua margem, conseguiu escoar o stock para que outras bolachas mais apetecíveis estejam prontas a substituir as últimas (que, só entre nós, só mudaram a embalagem. O produto é o mesmo).

Mercados acionistas emergentes – Fatores a ter em conta

Globalmente, o mercado acionista tem vindo a deparar-se com algumas situações de algum nervosismo, nomeadamente a situação do impasse grego e, mais recentemente, o crash na bolsa chinesa. No entanto, para um investidor atento, 2015 tem sido um ano cheio de oportunidades e a expetativa é de que assim continue.

As bolsas dos mercados emergentes encontraram, nos últimos quatro anos, algumas adversidades e, apesar do excelente desempenho verificado nos últimos meses, a confiança tem vindo a diminuir, fruto do arrefecimento do crescimento destes mercados, quando comparados com os mercados desenvolvidos. Por outro lado, o bom desempenho da economia e da moeda norte-americana, assim como a expetativa de um aumento das taxas de juro por parte do Fed (Federal Reserve, o equivalente norte-americano ao BCE – Banco Central Europeu), poderá desviar a liquidez dos mercados emergentes, o que acaba por não ajudar à sua situação.

Esta incerteza tem mantido as cotações em níveis baixos, o que é apetecível para os investidores de longo prazo, ou seja, investidores que compram e mantêm as suas posições na expetativa de que, no longo prazo, as cotações aumentem. Aliado a este fator há ainda o facto de que os primeiros meses de 2015 foram especialmente favoráveis às bolsas europeias devido, em grande parte, ao programa de flexibilização quantitativa promovido pelo BCE (o tão falado programa de quantitative easing). Isto fez diminuir, comparativamente, a atratividade das bolsas europeias face às dos mercados emergentes, quando analisamos a cotação atual das ações face aos resultados por ação.

Por último, as previsões apontam para uma estabilização do crescimento das economias dos países emergentes mas a situação dos lucros das empresas continua problemática e as estimativas dos resultados futuros das empresas são negativas.
Com base neste cenário, há 3 fatores que têm, quando em conjunto, potencial para indicar se, o recente bom momento de forma destes mercados representa, ou não, uma reviravolta sustentável face aos últimos anos.

O primeiro, passa por haver estabilidade da moeda, o que, como vimos, tem sido comprometido pela atual força do dólar e pelas primeiras medidas do Fed, conducentes ao esperado aumento das taxas de juro dos EUA. Em segundo lugar, é necessária uma retoma do crescimento económico dos mercados emergentes. O terceiro ponto tem a ver com a recuperação dos lucros das empresas.
Estes três pontos têm, em certa medida, uma ligação sequencial e, estando os dois primeiros satisfeitos, rapidamente se verificará o terceiro, o que fará subir os mercados acionistas.

Note-se no entanto, que o investimento em ações representa sempre um risco e este artigo e o autor não têm o objetivo de incitar ao investimento com base, unicamente, na análise aqui efetuada. Cada investidor deve fazer a sua análise do mercado, criar a sua estratégia e investir em concordância.