Derivados financeiros

Dentro do mundo financeiro é possível encontrar diversos produtos de investimento que denominamos por derivados. Designam-se por derivados todos aqueles instrumentos financeiros resultantes de contratos a prazo celebrados, cujo valor e evolução futura do mesmo deriva do preço de um determinado ativo subjacente, tais como uma taxa de juro, uma ação, um índice, uma matéria-prima, ou uma divisa.

Ainda que não sendo uma condição obrigatória, o mecanismo de alavancagem está frequentemente associado a classe dos derivados financeiros. Desta forma, não existe uma relação unitária entre desembolso inicial e capital em risco, permitindo que o investidor tenha maiores ganhos, assim como perdas mais elevadas se a operação não ocorrer como previsto.

Por um lado, os produtos financeiros derivados podem ser bons instrumentos para brindar os riscos de mercado, associados às oscilações das taxas de juro, taxas de câmbio, cotações bolsistas, inflação e risco de crédito. Por outro lado, estes produtos permitem a execução de estratégias de arbitragem e especulação tirando partido das imperfeições e volatilidade do mercado.

O montante exigido para iniciar um investimento em derivados financeiros é bastante pequeno em comparação com outros tipos de instrumentos que apresentam uma resposta similar diante das oscilações nas condições gerais dos mercados. Os derivados podem ser negociados tanto em mercado de balcão, denominado de Over-the-Counter (OTC), ou em mercados bolsistas (Exchange-Traded Derivatives), como acontece com os Futuros ou Opções.

Os 4 contratos de derivados financeiros mais utilizados pelos agentes do mercado são os Futuros, os Swaps, os Forward e as Opções. Sendo que existe nos 3 primeiros uma equivalência de direitos e obrigações entre as partes envolvidas, compradora e vendedora, ou seja, os direitos de uma parte são as obrigações da outra parte e vice-versa.
Nos contratos de opções, esta equivalência não existe, uma vez que o titular da opção tem o direito, mas não a obrigação, de exercer a compra. Já o vendedor da opção tem a obrigação de proceder à entrega do ativo subjacente, caso o comprador opte por exercer o seu direito de compra. Por isso, o detentor da opção paga um prémio para o vendedor assumir uma obrigação sem direito.

Apresentamos de seguida resumidamente os derivados financeiros mais transaccionados:

Os contratos de Futuros são estabelecidos entre as 2 partes envolvidas, compradora e vendedora, nos quais o vendedor compromete-se a entregar uma certa quantidade de um ativo, numa determinada data posterior e ao preço acordado na data de realização do contrato. O tipo de ativo subjacente neste instrumento financeiro tanto pode ser tangível, como moeda e commodities, ou intangível, como taxas de juro e índices bolsistas. Numa vertente mais corrente, não existe troca física dos ativos subjacentes mas sim, a liquidação financeira pela diferença entre o preço de futuros no mercado e o preço acordado previamente. Saiba mais aqui.

Por sua vez, os contratos Forward têm por objetivo a fixação futura do preço de transação de um determinado ativo, a prazo, como de uma taxa de juro ou de câmbio, com maturidade e preço acordados inicialmente. Sendo construídos à medida do cliente, os Forward são habitualmente negociados ao balcão (OTC) e por serem acordadas todas as variáveis subjacentes à formação do preço para o negócio a prazo.

Contrato de Swap é um acordo estabelecido entre ambas as partes para a troca de cash flows futuros, calculados com base no valor de um ativo escolhido, por exemplo, taxa de juro, taxa de câmbio, preço de uma ação, ou mercadoria. Este tipo de de contrato permite contornar a incerteza associada ao valor futuro dos fluxos financeiros transacionados. Saiba mais aqui.

Por fim, as Opções são contratos através dos quais se confere ao comprador da Opção o direito, e não a obrigação, de comprar (call option) ou vender (put option) um determinado ativo numa data futura e a um valor previamente fixado, o designado preço de exercício. O valor da cotação de uma opção é denominado por prémio da opção. Este prémio é o preço da opção, o qual é baseado em um conjunto de componentes que influenciam o preço da mesma, que são nomeadamente, o prazo para a maturidade da opção, o preço de exercício, o preço do ativo subjacente, o risco do mercado, as taxas de juros e inclusive os dividendos.
As Opções podem ter na sua génese ligeiras diferenças quanto ao método de exercício. Na vertente americana é permitido o exercício da opção durante o seu período de vida, já na vertente europeia essa opção só pode ser exercida na maturidade.

A grande diferença entre as Opções e os Futuros reside na não obrigatoriedade do cumprimento do contrato na data de vencimento, caso a evolução do preço do ativo subjacente não favoreça o titular da opção.

São muitos os tipos de contratos de Futuros e Opções à disposição dos investidores no mercado de derivados, que podem ser agrupados de acordo com a sua natureza:
– Commodities: arroz, trigo, milho,…
– Energia: petróleo, gás natural, …;
– Índices Bolsistas: S&P500, DAX, …;
– Forex: EUR/USD, EUR/JPY, …;
– Taxas de Juro: EURIBOR 6 mês, German T-Bill 10 anos…;
– Metais: cobre, ouro, …;
– Clima: época dos furacões, número de meses de frio, …

Os produtos financeiros derivados, sejam eles Futuros, Forward, Swaps, ou Opções, contrastam na sua génese, com os mercados à vista, dado o facto de serem contratados no momento presente e liquidados numa data futura.

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Publicado por

Kike Yin

Licenciado em Economia Profissional no sector dos Seguros

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