Análise Fundamental vs. Análise Técnica (parte 2)

No seguimento do artigo anterior sobre as duas vertentes de análise do comportamento das ações em que se explicou como funcionava a análise fundamental fica agora a explicação de como funciona a análise técnica.

 

Análise Técnica

A análise técnica é uma análise histórica do comportamento e movimentos das cotações das ações e recorre a ferramentas de análise gráfica para tentar explorar esses movimentos com o objetivo de obter ganhos.

Há ações com comportamentos cíclicos e outras que aparentam um comportamento completamente aleatório mas, pela análise técnica é possível detetar alguns padrões, dado que os preços das ações tendem a repetir-se com alguma frequência e são, em certa medida, previsíveis. Desta forma, é possível ler o mercado e fazer os investimentos consoante a análise efetuada.

Atualmente, acedendo à Internet, é possível ter acesso a plataformas de trading com potentes ferramentas de análise gráfica que facilitam muito este trabalho. A metodologia de análise irá variar consoante o objetivo que tenhamos. Se este passar pelo day trading (investimentos abertos e fechados durante o período de funcionamento do mercado, ou seja, o investidor não guarda títulos em carteira durante a noite) a análise terá que ser feita com informação dos preços e do volume ao segundo. Se, por outro lado, o objetivo for fazer uma análise de uma ação num horizonte temporal mais alargado – digamos 6 meses – os dados a utilizar terão que estar de acordo com esse horizonte temporal. O importante, em ambos os casos, é o gráfico ter, além da informação do volume transacionado, a informação do preço de abertura, de fecho e dos máximos e mínimos da sessão, dentro do intervalo de tempo em análise.

A partir deste ponto é possível iniciar a análise propriamente dita. O primeiro passo prende-se com a definição da tendência em vigor. Pela análise da informação histórica do gráfico podemos ver se a ação se encontra numa tendência de subida ou de descida. Esta é, aliás, a primeira regra de ouro do analista técnico – seguir sempre a tendência – tal como está explícito na máxima “the trend is your friend”.

Depois tudo dependerá da análise gráfica. Desde conceitos mais simples como as linhas de suporte e de resistência ou médias móveis de diferentes amplitudes até conceitos mais complexos como o Relative Strength Index (RSI) ou o rácio de Fibonacci, todas estas ferramentas permitem uma análise mais completa e descobrir padrões através dos quais é possível entender o mercado. Pela análise destas ferramentas é, por vezes, possível descobrir figuras próprias que têm um significado bastante vincado e indicador de determinado movimento futuro. Dentro destas figuras temos, por exemplo, o duplo fundo/topo e o Head&Shoulders (H&S) que são figuras de inversão, ou seja, quando formadas, indicam que a tendência do mercado vai mudar.

Uma das grandes vantagens da análise técnica em relação à análise fundamental prende-se com o facto de esta poder ser aplicada a outras classes de ativos, nomeadamente, obrigações, fundos de investimento de elevada capitalização bolsista, opções, mercado cambial (Forex).

 

Conclusão

Como vimos, a análise fundamental utiliza os dados reais das empresas para avaliar se as suas ações estão sub ou sobrevalorizadas. Por outro lado, a análise técnica utiliza os dados históricos dos preços das ações para prever o comportamento futuro da cotação.
Qual das vertentes de análise devemos então utilizar para fazer os nossos investimentos?
A melhor estratégia passa por utilizar uma mistura das duas análises. A análise fundamental identifica as ações que se encontram sub ou sobrevalorizadas, o que nos permite saber quais as ações que se encontram baratas para investir. Por outras palavras, a análise fundamental diz-nos quais são as ações onde devemos investir.

A análise técnica, por acompanhar os movimentos das cotações das ações, indica-nos os momentos de agir, ou seja, quando devemos abrir uma posição (investir) ou fechá-la (recuperar o dinheiro investido).

Estas duas vertentes de análise são falíveis e o investimento acionista é considerado um investimento de risco pois há possibilidade de perda do capital investido. No entanto, o estudo aprofundado destas temáticas permite reduzir, em certa medida, o risco dos investimentos.

 

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